Nossas

Trilhas

CULTURA E VOCAÇÃO

Líder| Cris Olivieri

O potencial natural da cidade do Salvador está ligado a produção musical e artística, ao turismo, e à economia deles decorrente. Essa indiscutível vocação para produção de arte e de conteúdo, que parece simplesmente brotar das ruas, precisa ser incluída como prioridade da gestão pública e de suas políticas. Não para direcionar, classificar ou escolher, mas, para oferecer caminhos de formação, organização, distribuição, divulgação, e fortalecimento, gerando, assim, a implantação de uma indústria criativa com impacto econômico relevante. 

Experiências contemporâneas vividas por outras cidades têm demonstrado que o investimento e apoio à cultura, às atividades artísticas e criativas geram desenvolvimento, empregos, sustentabilidade, auto estima, e a inclusão das comunidades. Em muitos casos, coloca a cidade no mapa de destinos do mundo. Ou seja, o investimento público e estruturado em atividades da economia criativa estimula investimentos privados, e gera não só emprego direto de suas atividades, como impacta no fluxo de turismo para a região, com desenvolvimento social, cultural, urbanístico e econômico.

Para além do impacto econômico, a cultura tem o poder de envolver, de disseminar a empatia e o conhecimento, de aumentar a tolerância e respeito a diversidade, de emocionar e auxiliar na inclusão e na construção de uma sociedade mais generosa, solidária e democrática. A arte aponta os defeitos e caminhos para reflexão e soluções do mundo, e é uma ferramenta excepcional para educação e cidadania.

A Bahia tem o mais difícil que é o capital intelectual criativo. Salvador tem a vocação para ser a capital mundial da cultura e da felicidade. Só precisa se reconhecer, se aceitar com tantos talentos e desistir de querer ser outra coisa. Focar na gestão estruturada e inovadora desse ativo, e gerar ações privadas e públicas que permitam viver, vender e exportar com lucro tanta felicidade. 

INOVAÇÃO APLICADA

Líder| Lucas Reis

A INOVAÇÃO QUE IMPORTA É A QUE PASSA PELO TESTE DA REALIDADE

 

O ser humano é a única espécie capaz de inovar. Essa capacidade permitiu que o frágil homo sapiens se espalhasse das savanas africanas para todo o planeta terra, habitando da zona polar ártica a áreas desérticas, adaptando-se ou moldando o ambiente externo aos seus desejos e necessidades. Essa é uma trajetória de mais de 300 mil anos, numa evolução não-linear, que nos traz até o momento atual, quando, apesar de incríveis avanços, a humanidade continua com diversos desafios à sua frente. 

Resolver problemas e melhorar a qualidade de vida das pessoas deve ser o norte do processo inovador. A inovação não pode ser algo etéreo, desconectado da realidade, à margem do dia a dia. Inovar é tornar algo melhor, é atender demandas e anseios, é suprir necessidades que não podiam ser supridas. Como disse Platão “A necessidade é a mãe da inovação”, o que cria um vínculo de mão dupla: inovamos porque precisamos, e a inovação só é válida se atender ao que precisamos.

Destacar o trabalho de inovadores em diferentes áreas é o objetivo dessa trilha. Queremos mostrar pessoas que se esforçam para gerar algo novo e que funcione, que gere riqueza, que satisfaça um cliente, que atenda um cidadão. Não é sobre a inovação em tese, que tem seu lugar, mas que tem impacto limitado. É sobre a inovação na prática, aplicada, que deixa o status de uma ideia na cabeça, no papel ou na tela, e se prova na realidade. Queremos discutir como estimular um ecossistema inovador, unindo as diferentes pontas da cadeia (academia, estado, capital, trabalho etc), como os inovadores estão lidando com os desafios atuais em áreas como saúde, meio ambiente e inclusão social, bem como exemplificar alguns casos promissores.

CIDADES: A MELHOR INVENÇÃO DA HUMANIDADE

Líder| Tomas Alvim

A ideia de que as cidades são a melhor invenção da humanidade foi repetida por pensadores como o sociólogo e historiador Lewis Mumford, o historiador Giulio Carlo Argan e Edward Glaeser, professor de economia em Harvard e autor do livro O triunfo da cidade. Os agrupamentos urbanos constituem uma das formas mais eficientes de distribuição de riqueza, e não é por acaso que concentram hoje a maior parte da população mundial.

A importância das cidades para o desenvolvimento econômico e social não exclui a existência de problemas. Exatamente por concentrarem grandes populações, as cidades enfrentam dificuldades e são palco de conflitos. No Brasil, elas ainda enfrentam desafios em questões primárias, herdadas do apressado processo de urbanização do século XX, como a falta de saneamento e moradia digna ao mesmo tempo que usufruem das principais conquistas do século XXI: o acesso amplo à tecnologia e às redes de informação. 

A pandemia de covid-19 representou um impasse para o modelo ideal de cidade: compacta, inclusiva, sustentável e conectada. Mesmo antes da crise sanitária que atravessamos, no senso comum, as cidades já eram associadas a trânsito, violência, poluição e a uma qualidade de vida ruim. De fato, e é como explica Glaeser, problemas desse tipo são consequências automáticas da aglomeração humana que caracteriza as cidades mas podem ser superados – e somente assim – com bom planejamento, boa gestão e comportamento ético dos indivíduos em relação ao coletivo. Vale lembrar que ao longo dos últimos 150 anos, médicos sanitaristas, arquitetos, ativistas urbanos e gestores públicos entre outros trabalharam juntos na elaboração de novas diretrizes para as cidades. Inovações na construção civil e sobretudo no planejamento urbano tornaram os centros urbanos mais seguros contra a disseminação de epidemias e contribuíram para o aumento da expectativa de vida de sua população.

O desafio, então, é melhorar o planejamento e a gestão das cidades. Para isso, não basta uma boa administração pública: o envolvimento da sociedade civil e da iniciativa privada é essencial. É necessário um ambiente de colaboração e cidadania para que as cidades sejam espaços que atendam adequadamente às demandas da sociedade brasileira atual – extremamente diversa em suas necessidades e interesses. A pandemia de covid-19 colocou em debate a reconfiguração do ambiente urbano e acelerou a assimilação de tendências que, no ritmo normal, levariam anos para serem consolidadas. 

Ao mesmo tempo que tomaram corpo discussões sobre cidades policêntricas, mobilidade ativa, inclusão digital, zoneamento misto e áreas verdes, no entanto, aproximadamente 40 milhões de pessoas em situação de extrema necessidade que, anteriormente, não estavam em radar nenhum dos programas de auxílio subitamente apareceram. A maior vulnerabilidade social veio à tona. Mergulhados em uma profunda fragilidade socioeconômica, milhões de indivíduos perderam renda e o número de postos de trabalho despencou. Crianças passaram a ficar sem refeição porque as escolas, onde a merenda representa a única oferta de alimentação disponível para muitos jovens brasileiros, tiveram de ser fechadas.

Foi nesse contexto que surgiu um movimento de solidariedade que merece um destaque enfático. Governos locais, sociedade civil e iniciativa privada se uniram em uma infinidade de ações de atendimento emergencial aos mais atingidos pela doença. Surgiram novos modelos de gestão dos programas de auxílio emergencial, partindo de movimentos e organizações de base em diferentes territórios das cidades do Brasil. Assim, o grande desafio à frente é traduzir esse modelo de atuação emergencial em um modelo regular, onde essa articulação de atores sociais possa participar da proposição, implementação e acompanhamento de políticas públicas. 

Somente uma agenda permanente, onde o cidadão é o foco prioritário, pode implementar um novo modelo de governança na gestão dos problemas da cidade e estabelecer um novo contrato social – um pacto amplo onde a prioridade são os menos favorecidos.

Precisamos lembrar os brasileiros de que cidades são solução, uma das formas mais simples de distribuição de riqueza e democratização do acesso a oportunidades. Também é necessário incentivar e ampliar o exercício da cidadania. Com a complexidade que a nossa sociedade alcançou, o modelo de governança para as cidades precisa contar com a participação de diversos setores sociais.

A sociedade se inteirou de suas dores, elaborou soluções, e de agora em diante está mais aberta para novos modelos de governança, disposta a buscar caminhos para que tenhamos cidades de fato inclusivas, com qualidade de vida e oportunidades para todos – cidades que cumpram a sua razão de ser.

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