Olá, amigo(a) de 2030. Tudo bem?

Eu vou chamá-lo de Leitor do Futuro, combinado? É só um tratamento carinhoso, porque talvez você esteja recebendo esse texto de outras formas, que não a leitura (comando de voz, um chip no cérebro ou qualquer outra novidade que nem imagino ainda). Tenho muitas informações para compartilhar. A primeira delas é sobre a Bahia. Você já deve saber, mas hoje, aqui em 2018, tá todo mundo ligado que, se o assunto é criatividade e inovação, o Vale do Silício, nos Estados Unidos, está para o mundo assim como o centro de Salvador, em breve, estará para o país. 

Se você ainda não sacou isso ou acha a comparação um exemplo da famosa arrogância do baiano, não vou perder tempo discutindo nem vou tirar sua razão, mas lhe digo uma coisa. Nizan Guanaes concorda comigo. 

“Ah, mas Nizan é baiano! Conheço bem. Ele está com 72 anos, completou uma prova do Ironman vestido com a bandeira da Bahia e só fala em Salvador quando é convidado para dar palestras pelo mundo. Nizan não conta”. 

Beleza. Tá achando que Nizan é só um gênio bairrista. Ok. Que tal, então, o empresário mineiro Antônio Mazzafera? Ele também levou fé na previsão. No momento de maior crise da história do país, o cara investiu milhões para reformar um grande hotel no centro de Salvador, localizado na Rua Chile. E preste atenção nos detalhes! A Rua Chile foi a primeira rua do Brasil. Salvador foi a primeira capital do Brasil. O hotel reformado – o Palace – foi o primeiro cinco estrelas de Salvador. E neste momento eu estou lhe escrevendo uma mensagem para contar que o tal hotel (que passou a se chamar Fera Palace) foi a sede do primeiro Scream Festival, o maior evento de criatividade e inovação da capital baiana. Talvez seu professor - e digital-influencer - de História já tenha falado algo a respeito na aula 3D com hologramas e realidade virtual que você comprou na internet usando as criptomoedas recebidas na mesada. 

Eu sei. 2018 é um ano muito distante. Você já teve acesso a tantos textos, vídeos e dados que está com a sensação de ter vivido uns quatro séculos nesses últimos 12 anos.  Eu entendo. Saiba, no entanto, que muitas situações que fazem parte da sua rotina e alguns dos mais relevantes acontecimentos mundiais aí de sua época foram discutidos aqui, nesse evento emblemático.

 Navegue por essas páginas, volte no tempo, entenda o presente e projete o futuro junto com a turma que participou do Scream Festival 2018. Vai ser uma experiência muito enriquecedora, garanto. Falamos de Tecnologia, Comunicação, Artes, Mídias Digitais, Redes Socias, Saúde, Economia, Comportamento. 

Uma equipe de jornalistas atentos e muito curiosos preparou este material com o objetivo de transportar você para o centro de Salvador. Queremos que todos sejam tão impactados quanto nós pelos acontecimentos marcantes dos dias 23 e 24 de novembro, nos três prédios históricos que sediaram o evento. 

Seja bem vindo. Navegue sem moderação. Este é o SCREAM.doc 2018. 

Clique, leia, veja, ouça, reflita, questione, interaja, analise, discuta... e divirta-se!

“Pode entrar, Regina. Tem lugar aqui na frente”, disse Pedro Tourinho,

 

“Pode entrar, Regina. Tem lugar aqui na frente”, disse Pedro Tourinho, interrompendo momentaneamente a palestra. A atriz Regina Casé sentou em um dos últimos lugares disponíveis no Espaço Barroquinha, naquela tarde de sexta-feira, primeiro dia do Scream Festival. Os ouvintes que chegaram tarde tiveram que assistir à palestra de pé. Todos atentos ao publicitário baiano que, sentado na escada do palco, falava com simplicidade sobre seus cases de maior sucesso, entre eles, a cantora Anitta, que até para quem não entende de engajamento, é sinônimo de sucesso. Ela é a cantora brasileira mais seguida no Instagram, com mais de 30 milhões de seguidores, uma das artistas mais ouvidas no Spotify e com videoclipes que beiram a casa dos bilhões de visualizações no YouTube. É com esses números, que crescem a cada dia, que Anitta tem conseguido driblar o universo dos algoritmos que dominam as redes sociais.

Esses algoritmos são cálculos feitos por plataformas com interesses comerciais, que tem o objetivo de fazer com que a gente interaja mais com determinados conteúdos. O Facebook e a Netflix, por exemplo, usam algoritmos que analisam nosso hábito de consumo de conteúdo para tentar entregar para a gente o que queremos ver. "É o que a gente tem que conseguir entender, ou para surfar na onda dele ou para driblar de alguma forma para que a gente não seja muito direcionado por uma coisa comercial”, afirmou Pedro Tourinho para a plateia.

PRE-PA-RA

Sem comprar mídia, ele tem feito com que seus clientes sejam sempre vistos. Com Anitta foi bolada a estratégia do “Check Mate”, que tinha o objetivo de lançar um clipe por mês e dar início à carreira internacional da cantora. Segundo Tourinho, na estratégia fonográfica e no conteúdo para as redes de Anitta, o algoritmo foi até mais importante que os elementos artísticos e criativos. “A decisão dos 'feats' com artistas internacionais foi estratégica, para ganhar mercado e setores”.

O primeiro clipe foi com PooBear, que já havia feito parcerias com Justin Bieber, para atingir o mercado americano. O segundo 'feat' foi com Alesso, para pegar o mercado da música eletrônica. Em seguida veio a parceria com J Balvin, o maior artista da Colômbia, que por sua vez representa o segundo maior mercado latino-americano. “Em quatro meses a gente conseguiu coletar audiência de algoritmos de pessoas de cada um desses países”, comemora Tourinho, ressaltando que Anitta conseguiu se transformar em uma artista influente no mercado latino e tem conquistado cada vez mais espaço nos Estados Unidos.

DARK SOCIAL

Porém, mais difícil do que driblar os algoritmos, é entrar no dark social media, os chamados ambientes fechados de troca de mensagem, como o WhatsApp. 

 

No final de 2017, Tourinho recebeu o desafio da Ambev dereposicionamento da Skol, que queria mostrar a mudança em relação ao pensamento machista que era uma marca forte na publicidade de cervejarias. Para isso foi criado um evento no Facebook, com milhares de pessoas se reunindo para cantar a música “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas. Em seguida, foi produzido o vídeo que deveria ser compartilhado pelo WhatsApp. "Para fazer essa estratégia de dark social a gente criou diversos grupos de WhatsApp, entramos em grupos de artistas, de fãs de Raul Seixas e em grupos de bebedores de cerveja”, relatou Tourinho. “Fomos postando para que isso surgisse naturalmente na rede”.

MANDA PELO ZAP

Para tentar mensurar, Pedro conta que a equipe criou uma meta inusitada. “Se o vídeo chegasse ao WhatsApp do CEO da Ambev, seria uma prova de que a ideia funcionou”. Tourinho confessa que tentou entrar em contato com alguém para fazer o material chegar até o chefão da empresa, mas nem precisou. “Não consegui, mas chegou!”, contou, sorrindo. A campanha foi um sucesso tão grande que acabou sendo utilizada como vídeo de fim de ano da Skol na televisão. Entrou até no intervalo do Fantástico, o horário mais tradicional de mídia para lançamento de grandes campanhas. 

E aí, amigo de 2030? Tudo isso ainda existe?

 

A voz de Livia Fauaze ecoava pelo auditório do Teatro Gregório de Mattos.

Ao lado dela estavam o estilista Alexandre Guimarães, a empreendedora Eva Mota, a mediadora do painel Ana Fernanda e Candida Spetch, que apresentou uma palestra sobre sua marca de bolsas feitas a mão. 

Lívia é a criadora do Nonstop, um escritório de design estratégico que tem o objetivo de promover a sustentabilidade de pequenos negócios de economia criativa. “Uma estratégia só não faz a empresa ser diferente. É uma combinação de fatores”, disse Lívia.

"A gente tem que estar pronto para o que ocorrer. Você pode planejar, estabelecer seus objetivos, metas, mas a coisa pode não acontecer. Estratégia é fundamental".

Lívia Fauaze, gestora de negócios.

"É uma batalha diária. Principalmente para quem trabalha com moda, já que não tem uma indústria aqui. A gente tem que perseverar e batalhar um pouco mais para conseguir o que a gente almeja".

Alexandre Guimarães, estilista.

 

O Futuro é Audiovisual:

a adesão ao vídeo mais que dobrou

Mais de 95% da população de Salvador diz assistir televisão e 74% dessas pessoas têm acesso à internet. O que isso quer dizer? Que, mesmo com as novas mídias, a TV não perdeu seu espaço. Segundo pesquisa da Kantar Ibobe Mídia, apresentada pela CEO da empresa, Melissa Vogel, a adesão ao vídeo mais que dobrou: em cinco anos cresceu 162%. "Existe uma característica das pessoas que são mais conectadas em consumir mais mídia”, afirmou Melissa para o público que a assistia no Teatro Gregorio de Mattos.

Durante a apresentação, Melissa também falou sobre a medição do “cross vídeo”, que é essencial para entender o comportamento dos consumidores com a chegada das novas mídias. “Da mesma forma que a comunicação é fragmentada, nós também, quando falamos de medição de mídia, temos que entender esse cenário. Para que a gente possa entender o total de consumo e ofereça ferramentas e dados, teremos que conectar a inteligência das mais diferentes plataformas. As conexões serão cada vez mais híbridas”, destacou a CEO.

Ainda de acordo com a pesquisa, 98% das pessoas entre 18 e 38 anos (que representa 43% entre os adultos conectados) consome algum tipo de vídeo, seja o do WhatsApp ou a TV On Demand. "Existe uma migração do hábito que se complementa”, garante Melissa. 

Mais de 95% da população de Salvador diz assistir televisão e 74% dessas pessoas têm acesso à internet. O que isso quer dizer? Que, mesmo com as novas mídias, a TV não perdeu seu espaço. Segundo pesquisa da Kantar Ibobe Mídia, apresentada pela CEO da empresa, Melissa Vogel, a adesão ao vídeo mais que dobrou: em cinco anos cresceu 162%. "Existe uma característica das pessoas que são mais conectadas em consumir mais mídia”, afirmou Melissa para o público que a assistia no Teatro Gregorio de Mattos.

Durante a apresentação, Melissa também falou sobre a medição do “cross vídeo”, que é essencial para entender o comportamento dos consumidores com a chegada das novas mídias. “Da mesma forma que a comunicação é fragmentada, nós também, quando falamos de medição de mídia, temos que entender esse cenário. Para que a gente possa entender o total de consumo e ofereça ferramentas e dados, teremos que conectar a inteligência das mais diferentes plataformas. As conexões serão cada vez mais híbridas”, destacou a CEO.

Ainda de acordo com a pesquisa, 98% das pessoas entre 18 e 38 anos (que representa 43% entre os adultos conectados) consome algum tipo de vídeo, seja o do WhatsApp ou a TV On Demand. "Existe uma migração do hábito que se complementa”, garante Melissa. 

Alô, Alô, Leitor do Futuro! Melissa Vogel, no Scream 2018,

fez algumas previsões. Será que ela acertou?

O FUTURO DA TELEVISÃO (COM MELISSA VOGEL)

Scream Tendências: A juventude vai continuar consumindo televisão?

Melissa Vogel: A nossa visão é de que a televisão passa por uma ressignificação. Então, ela vai conseguir conciliar aquela coisa de se reunir com a família, assistir na frente da televisão, mas ao mesmo tempo cada um vai ter uma independência de assistir um conteúdo quando quiser e como quiser. A TV continua sendo pra todo mundo e pra todos os gostos. 

ST: O conteúdo ao vivo vai ser o maior diferencial da TV?

MV: No final da história, o grande valor e ativo da TV é o conteúdo, o que conecta as pessoas. E tem um outro fator importante: as pessoas continuam acreditando naquelas mídias consolidadas. A gente fez um grande estudo sobre fakenews e é lógico que os meios com mais credibilidade são aqueles que elas já conhecem. 

ST: E quais transformações ainda vão acontecer? Qual a tendência para o futuro?

MV: Existem ainda questões voltadas para o modelo comercial. É algo que precisa evoluir. Outra coisa que vai acontecer também é adequação dos conteúdos em cada um dos momentos. Já há emissoras de TV fazendo um movimento interessante que é primeiro distribuir o conteúdo no digital e depois na plataforma tradicional. Então, cada um vai encontrar seu modelo.

 

E aí, meu amigo de 2030? Na sua casa você ainda se reúne

com a família para assistir televisão? O que você costuma ver?

 

As Novas Fronteiras do 

Audiovisual

De Salvador para o mundo. Quem imaginaria que um filme de baixo custo gravado no underground baiano poderia virar um reality show com exibição internacional? Talvez nem Amadeu Alban, diretor criativo da produtora Movioca, responsável por esse conteúdo, imaginaria isso. Mas foi o que aconteceu com o Drag Me As A Queen, reality show que mostra mulheres se transformando em drag queens. 

“Não podemos nos apegar ao pensamento de que, por estar em Salvador e vivermos uma realidade difícil, não conseguiremos fazer”, afirmou o baiano, logo após o painel que discutiu as novas fronteiras do audiovisual, no Teatro Gregório de Matos. A ideia do reality surgiu após o desejo de uma diretora em se transformar em drag queen durante um curta metragem.  “Quando o filme ficou pronto e ganhou mais de trinta festivais a gente falou: nossa, quantas mulheres não poderiam passar por essa transformação e se sentir renovadas e valorizadas”. A partir dessa inquietação, Amadeu criou um formato, passou quatro anos batalhando e conseguiu realizar o projeto.

Atualmente, o Drag Me As A Queen é exibido no canal E! (EntertainmentTelevision), que passa em toda a América Latina. Para João Rodrigo Mattos, da DocDoma Filmes, muito do que foi produzido no setor audiovisual nos últimos anos se deve à Lei 12485, que exige que os canais a cabo exibam conteúdo nacional. Isso deu origem a um boom no mercado e pequenas produtoras ganharam musculatura. 

E foi graças a um edital que a DocDoma conseguiu produzir o "Francisco só quer jogar bola", uma série infantil de 13 episódios de 26 minutos cada. O conteúdo será exibido na TVE, que é co-financiadora do projeto. “Já estamos negociando com outros canais e quando tudo estiver certinho, iremos divulgar. Mas desde já estamos felizes com o resultado. Vai ser muito legal”, garante o baiano.

Durante o painel, a gestora da Diretoria Audiovisual do Estado da Bahia (Dimas), Daniela Fernandes, demonstrou preocupação quanto à manutenção desse incentivo para o setor nos próximos anos, mas Thiago Di Fiori, paulista que passou quatro anos se relacionando com a Bahia para gravar um documentário sobre Dorival Caymmi, disse que a solução para continuar a romper as novas fronteiras do audiovisual é investir em parcerias. “Um erro é cada um tentar fazer um movimento sozinho quando, na verdade, a gente deveria se juntar”, disse durante o painel, destacando que a produção do filme “Dê lembranças a todos” só foi possível graças ao apoio de parceiros locais

 

“Quem não se posicionar, não vai lucrar”, é o que garante Ana Cortat, co-fundadora da Hybrid Colab, startup de estratégia focada no estudo de comportamentos. Segundo a publicitária, o mundo e o consumidor mudaram. E se as corporações não mudarem a postura e não começarem a se preocupar com questões sociais e de sustentabilidade, podem acabar perdendo espaço. A palestrante conversou com a equipe do Scream Tendências 2018 logo após apresentação no Espaço Barroquinha.

Scream Tendências: Por que as empresas precisam se posicionar?

Ana Cortat: “Porque elas são formadoras da sociedade. Não existe um descolamento entre business e sociedade. Adultos passam, no mínimo, 8 horas por dia dentro de uma corporação. É nesse lugar que a gente está colocando em xeque os nossos valores, nossos aprendizados, a nossa relação com o outro.”

Scream Tendências: É possível que no futuro essa questão do posicionamento não seja mais um diferencial e sim algo essencial, até pra conseguir esse lucro que as empresas desejam?

Ana Cortat: “Hoje há muitas pessoas que já se preocupam com posicionamento político e quais são as crenças e os valores defendidos pelas marcas que consomem. E quanto mais isso se ampliar, quanto mais as pessoas tiverem essa consciência, mais isso vai afetar o resultado das marcas.

 

"Quem tem Facebook aqui?", perguntou o palestrante Tarcízio Silva.

A maior parte da plateia que estava no Espaço Barroquinha, no primeiro dia do Scream Festival, levantou a mão. "Todos vocês trabalharam de graça para Mark Zuckerberg treinar os sistemas dele de inteligência artificial", afirmou o Diretor de Pesquisa em Comunicação do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD). Depois desse início impactante, todos ficaram curiosos.

Você já viu a rede social colocar várias imagens e pedir para o usuário marcar em quais delas há pedaços de carros, por exemplo? Pois é. Tarcízio explica que "esse é um modo do Facebook (e do Google) ver se você não é um robô, por uma questão de segurança, e ao mesmo tempo fazer com que você treine o robô dele”. No momento em que você seleciona a parte da imagem que é de um carro, você está ajudando o sistema a reunir dados e aprender com as suas escolhas. A mesma coisa acontece com o reconhecimento da face. Segundo ele, o nome dessa metodologia de inteligência artificial é "rede convolucional". O sistema já era utilizado em indústrias, mas só agora passou a ser utilizado na comunicação para entender comportamentos".

 

Carol tem sorriso largo. Daquele tipo que,

à medida que vai se expandindo pelo rosto,

vai deixando o olho miudinho, sabe?

Não tem como não sorrir de volta. A jovem tem 21 anos, mas já é casada e mãe de dois filhos. Atualmente o marido cuida da casa - já que está difícil arranjar emprego - e é ela quem representa o principal sustento da família, vendendo rifas pelas ruas do Nordeste de Amaralina, em Salvador. No palco do Espaço Barroquinha, ela falou da vida e dos hábitos de consumo. “Passo quatro meses pra juntar dinheiro, mas vou ao shopping comprar minha roupa”, revelou, meio acanhada, mas ao mesmo tempo orgulhosa.

Apesar da corpulência que não a deixa passar despercebida, Carol se enquadra na categoria de “invisível” para muitas marcas (e até mesmo pessoas). “Quando a gente faz comunicação a gente quer falar com as classes de A a E e muitas vezes não sabe quem são essas pessoas.

Provavelmente poucos de vocês saíram do ar-condicionado e foram a uma comunidade para lidar com o outro. Saber o que passa na cabeça dessas pessoas, o que eles consomem de produto e o que está por trás na hora de consumir o produto em si”, afirmou Diego Oliveira, fundador e CEO do Grupo Youpper Consumer & Media Insight, que desenvolveu um estudo pelas periferias de Salvador.

Foi assim que a história de Carol se cruzou com a de Diego. Eles se encontraram no Nordeste de Amaralina, bairro em que Diego iniciou um trabalho de pesquisa. “Vários preconceitos que eu tinha acabaram morrendo e eu aprendi muito com eles”, confessou durante a palestra “Quanto valem os invisíveis?”. Na periferia ele descobriu que 8 em cada 10 pessoas possuem smartphones nas comunidades soteropolitanas, 5 em cada 10 famílias possuem carro e 30% das pessoas já viajaram para o exterior nos últimos 12 meses. “Se a gente quer entender com quem a gente quer conversar, a gente precisa ir além dos números”, afirmou Diego.  Para ele não há experiência melhor do que sair do ar condicionado das agências e se aproximar das pessoas, envolver-se com elas. 

Carol não nega, a vida por lá não é fácil. “Minha vida é corrida e eu mal paro em casa. Às vezes minha filha reclama, mas eu digo a ela ‘se eu não trabalhar, como vou ter dinheiro pra comprar sua sandália?’. Meu marido me ajuda, mas pra arranjar emprego está muito difícil. Então, acaba tudo nas minhas costas”, relatou durante o painel, que contou também com a presença de um de seus ídolos, o apresentador da TV Aratu, Alex Lopes.

Para Alex, o público da periferia é “ousado”. “Eles não se acham menores do que ninguém”, disse, comentando que na comunidade não existem apenas consumidores, mas também anunciantes que investem em publicidade no programa que ele apresenta. “A gente mostra a comunidade exatamente como ela é”, disse Alex, reforçando que é preciso enaltecer a parte boa dos bairros periféricos da capital. 

“A gente precisa ter a sabedoria de ouvir essas pessoas. Pensar em Carol como protagonista”, a mediadora do painel Tereza Barreto, da SLA Propaganda. O Scream concorda, Tereza. E, nesse painel, Carol foi a grande estrela. A invisibilidade começa a desaparecer.

 

“Quem acha que o blockchain vai mudar o mundo?”. Apenas três pessoas no Teatro Gregório de Matos levantaram a mão. “Isso porque vocês ainda não ouviram o que eu tenho a dizer”, afirmou Rosine Kadamani ao dar início a palestra sobre essa tecnologia revolucionária.

O blockchain é o sistema que deu origem às criptomoedas, como o bitcoin. Trata-se de uma tecnologia de registro distribuído que busca a descentralização como medida de segurança. Complexo, né? Bem, é como se fosse um livro-razão de banco, mas que registra as transações usando cópias distribuídas entre computadores do mundo todo, atualizadas automaticamente a cada transação. 

Para Rosine, co-fundadora da Blockchain Academy, um dos principais desafios na divulgação da tecnologia é justamente a sua complexidade. Porém o maior adversário, segundo ela, é a ignorância. Por isso, desde 2014 ela é a pioneira no Brasil na difusão e debate sobre o tema. E já deu aulas para autoridades do Banco Central, empresas e representantes de grandes bancos, um dos setores que mais pode sofrer mudanças com o crescimento do blockchain.

Ao final da palestra, após triplicar o número de mãos levantadas depois de repetir a pergunta feita no início, ela conversou com a equipe do Scream Tendências 2018 e brincou de prever o futuro. 

 

Não existem receitas prontas. Todo mundo sabe disso, mas continua buscando a fórmula perfeita para conquistar seus objetivos. Foi por isso que a palestra de Daniel Gasparetti, da Mutato, lotou o auditório do Fera Palace no segundo dia do Scream Festival. Todos queriam saber o passo a passo de como criar relevância para uma marca ou para si mesmo. E pelos aplausos no final da apresentação do publicitário, acho que ninguém se decepcionou. Então, se ninguém se importa com você (ou com sua marca), confira a seguir as dicas baseadas em cases de sucesso nas redes.

 

Oi, Leitor do Futuro. Tenho mais um trabalhinho pra você. Confira as previsões de Daniel Gasparetti.

 

Scream Tendências: O que vai mudar para que as marcas criem relevância?

Daniel Gasparetti: O processo vai ser diferente e eu não faço ideia de quando vai ser. Mas a essência não vai mudar: as pessoas gostam de histórias. Como você vai conseguir descobrir e contar a melhor história é o que está mudando a todo momento e tenho certeza de que, daqui a 10 anos, vai ser um negócio bem diferente. Mas eu posso ter certeza de que eu vou ter sucesso e conseguir contar uma história bacana para as pessoas.

ST: As grandes ideias continuarão a ser essenciais para os projetos darem certo?

DG: Sim, grandes ideias são essenciais! É que grandes ideias na verdade não são grandes sacadas: são histórias relevantes para as pessoas. Procura os vídeos mais compartilhados no Facebook. Você vai ver o que? Histórias simples que ressoaram e fizeram sentido para as pessoas.

ST: Você acha que é possível que, mesmo com o avanço da tecnologia, a tendência seja simplificar?

DG: Sempre! Quanto mais complexo o cenário, mais importante é simplificar. Simplificar é uma das coisas mais sofisticadas que existem. 

 

Após 14 anos morando nos Estados Unidos, o chef Fabrício Lemos, do restaurante Origem, resolveu transformar a gastronomia baiana.

“Eu via um potencial na Bahia que, infelizmente, o mercado não enxergava”, contou para o público no Teatro Gregório de Matos. Foi então que ele resolveu colocar uma mochila nas costas e descobrir a “Bahia além do dendê”. Vamos embarcar nessa viagem?

 

CAPIM GROSSO: LICURI – “Toda vez que eu faço trabalho fora do estado, coloco licuri propositalmente, porque, atrás desse coquinho, existem famílias que dependem muito disso pra sobreviver. A caatinga tem temperatura média de 35-37 graus, então, poucos frutos, poucas árvores, poucas hortaliças conseguem sobreviver nessa temperatura. O licuri é endêmico dessa  região e dá sustento a essas famílias. Se a gente não trouxer pras nossas mesas, não fizer nosso dever de casa, do outro lado vai ter gente que vai estar passando fome”.

SUL DA BAHIA: CACAU – “Hoje, quando você chega ao sul da Bahia, cada vez que passa aumenta o número de pessoas produzindo seu próprio chocolate. Esse chocolate de origem já é reconhecido mundialmente. E dessa quebra do cacau, o sorozinho que cai sobre essas folhas de bananeira servem de alimento paras pessoas que estão lá. E esse alimento nada mais é que o mel de cacau, que fermenta muito rápido, então, você vai encontrar sempre congelado”.

CHAPADA DIAMANTINA: CAFÉ – “A Bahia é um grande produtor de café orgânico biodinâmico. O estado é respeitado nacionalmente pelo café produzido aqui, só que a gente tem um costume infeliz de comprar qualquer coisa e beber qualquer coisa. Então, a maioria das pessoas acaba comprando um café queimado, que Deus sabe lá o que tem dentro, em vez de olhar para a nossa própria produção”.

MUCUGÊ: MORANGOS – “Na própria região da Chapada, em Mucugê, a gente tem produção de morangos orgânicos e o sabor é incrível. E por que a gente consegue ter morango? Pelo clima daquela região. Pouca gente sabe disso e o nosso mercado acaba não absorvendo o nosso morango”.

MAR GRANDE: MANDIOCA – “Basta você chegar ao Quilombo Tereré, que fica em Mar Grande, para ver a casa de farinha. Eu nunca tinha entendido como é que faz uma farinha, é de emocionar. O que a mandioca te dá, o que ela te proporciona, quantos alimentos podem ser feitos com a mandioca. E lá são cerca de 450 famílias que dependem da torra dessa farinha”.

 

SLOW FOOD NÃO É TENDÊNCIA. É NECESSIDADE

Durante a palestra “A Bahia além do dendê”, um dos principais assuntos discutidos foi o slow food, movimento internacional que busca a qualidade dos alimentos acompanhada de saúde para quem consome e sustentabilidade para o meio ambiente. Ao final da palestra, o Scream Tendências conversou com o chef Fabrício Lemos, do Restaurante Origem, e com o professor Alberto Viana, adepto e estudioso do movimento.

Scream Tendências: “O slow food é o futuro?”

Fabrício Lemos: “O slow food já é o presente. Ele é o projeto fundamental para a sobrevivência do ser humano”. 

Alberto Viana: “Eu vejo que o slowfood é o presente que aponta para o futuro, quando gastronomia e sustentabilidade se tornam indissociáveis para a sobrevivência do planeta que, implicitamente, comporta essa questão da preservação da diversidade, inclusive da espécie humana.

ST: “A gente viu nas palestras do Scream muitas questões globais, muitas tendências que se espalham através da globalização, que a gente trás de fora para cá. E o caminho do slow food parece ser o oposto, de dentro pra fora. É uma tendência também esse resgate à origem?”.

FL: “Exatamente, o resgate do simples, o resgate da origem. Tanto que meu restaurante se chama Origem e o outro, Ori, que em iorubá quer dizer cabeça, centro. É voltar à época dos nossos avós. Porque os nossos avós tinham toda a sabedoria em fazer um alimento bacana, uma comida bacana. E pelo mundo globalizado, pelo corre-corre, a gente está pulando etapas. A minha avó criava galinha, ela não comprava no mercado.

ST: “O melhor futuro então é voltar pra o passado?”.

AV: “Isso, voltar ao passado e olhar que a diversidade planetária no mundo globalizado vai se manter e precisa se ampliar, porque tem a ver com a ver com a questão da sobrevivência do próprio planeta”.

Kyane Bomfim Santos | aluna Infinity School
 

O futuro é agora. Pelo menos foi essa a sensação que eu tive ao assistir a palestra "Biohacking e VR na era transmídia".

O pesquisador de realidade virtual, Rodrigo Arnot, falou sobre como o VR pode ser aplicado na área da saúde. O seu principal case era da realidade virtual sendo usada durante a aplicação de injeções em crianças, para ajudar a reduzir o medo de agulhas. Assim que sentavam na cadeira do consultório, os óculos de realidade virtual serviam para distraí-las do procedimento médico, tornando o momento mais prazeroso do que se estivessem prestando atenção na agulha da injeção.

Já o professor Maurício Cunha falou sobre o projeto "Biohackeando Gaivotas", que consiste na utilização de drones para fazer imagens 360º de Salvador, colocando-nos na pele de uma gaivota, para que possamos ver o que elas veem, caso pudéssemos voar.

Curiosa que sou, levantei a mão quando permitiram que a platéia fizesse perguntas. Estava curiosa quanto ao futuro e as infinitas possibilidades dessas novas tecnologias, que incluem ainda chips introduzidos na própria pele para que as pessoas possam ligar e desligar aparelhos, como se fossem controles remotos de carne e osso. 

Maurício Cunha (Tribo 3D)

"Recentemente vi uma reportagem com imagens 360° e a narrativa emocionou muito mais os espectadores do que se tivesse sido em 2D. Além disso, existem experiências em cinema e uma coisa chamada 'fotometria virtual'. Quem assistir ao filme 'Bladerunner' vai poder ver um pouco do que o futuro nos reserva." 

Mauro Castro (Era Transmídia)

"O futuro não existe. Se você quiser pensar o futuro, ajude a cria-lo. Em 2016, o mercado foi surpreendido pelo PokémonGo. Esse jogo veio para dizer: olha, as tecnologias estão acessíveis para que vocês utilizem com criatividade. A realidade aumentada já é utilizada pelos gigantes da indústria há muito tempo. Mas o que o PokémonGo disse é que a gente não depende mais da indústria, que podemos criar experiências, situações de realidade aumentada com o seu computador, em sua casa. Para vocês isso pode representar o futuro, mas é apenas uma utilização inteligente do que vocês podem criar. Então, melhor do que prever o futuro é cria-lo."

 

Pergunta para o Leitor do Futuro. Meu caro amigo de 2030, já é normal ter um chip dentro do próprio corpo para controlar produtos eletrônicos ou isso ainda é algo para poucos como em 2018?

 

Feche os olhos e visualize a primeira propaganda: a menina, aos cuidados da mãe, imaginando-se uma princesa. Agora, uma segunda propaganda: uma menina, dessa vez cuidada pelo pai, imaginando-se uma guerreira lutando contra um dragão. As duas propagandas existem e são de uma mesma marca: a Johnson & Johnson. Mas de uma para a outra se passaram quatro anos. Durante esse período, a Heads Propaganda, a primeira agência signatária dos Princípios de Empoderamento Feminino da ONU Mulheres na América Latina, realizou um estudo sobre a representatividade na publicidade brasileira.

No segundo dia do Scream Festival 2018, a diretora de planejamento da agência, Isabel Aquino, apresentou os resultados da sétima onda do estudo “TODXS”. Os resultados da análise mais recente impressionaram e emocionaram a plateia que assistia à palestra no auditório do Fera Palace. Vi mulheres com lágrimas nos olhos após apresentações de cases que demonstravam mensagens de empoderamento feminino.

"A partir dos 6 anos, meninas já têm a sensação de pertencer a um campo inferior e se acham menos inteligentes que os homens", afirmou Isabel. E ela considera que muita gente parece não saber que a publicidade tem muito a ver com isso. “Todos os dias a gente recebe cerca de cinco mil mensagens publicitárias. Obviamente que não nos lembramos da maioria delas, mas essas mensagens impactam a nossa forma de ver o mundo, a forma como a gente se enxerga, o que a gente acha bonito, sexy ou feio e não desejável, o que é papel de mulher ou de homem, o que é ser bem-sucedido e fracassado na vida”, disse.

Ou seja, à medida que a publicidade muda, os impactos aos consumidores se tornam mais positivos. Além disso, segundo Isabel, promover equidade significa também impactar positivamente os negócios. “Na contramão da evolução, o marketing que não revisita seus discursos envelhece, perde valor e vê suas vendas despencarem”. A marca de lingerie Victoria’s Secret é um exemplo disso. Ela sofreu queda de 25% nas vendas e durante uma pesquisa descobriu que 68% dos entrevistados gostam menos da marca hoje por achar ela forçada e falsa. Para Isabel, é uma marca que não se reinventou e continua trabalhando com um padrão de beleza estereotipado, datado e sem diversidade. “Isso tem impacto nos negócios. Então, a gente está falando de algo que mexe no bolso também”, reforça Isabel.

As propagandas da Johnson & Johnson, além de outros cases apresentados na palestra, demonstram que já há uma evolução nesse pensamento. “Mas a gente entende que essa evolução não acontece na velocidade que a gente espera”, critica Isabel, afirmando que o assunto já vem sendo discutido há muito tempo. “Todas as empresas têm a possibilidade, a oportunidade e a responsabilidade de participar dessa mudança”, afirmou a palestrante.

 

Assim como o Tempo, Nizan

não para.

"Vire à esquerda na Ladeira da Montanha". A voz da "moça do Waze" ecoou de um celular aleatório no meio do auditório do Fera Palace e o público parou de prestar atenção por alguns segundos no que era dito pelo palestrante. "Falei alguma merda?", perguntou Nizan Guanaes. "Foi o Waze quem falou", respondeu o mediador, o jornalista Pablo Reis. Todos no auditório riram. "O Waze é de Israel. Acabei de vir de Israel", comentou Nizan. "Essa coisa conjunta do tempo... Vocês que estão na minha frente são o tempo novo, o tempo do Waze. Na hora em que a gente cruzar esses tempos...", continuou o publicitário, sem concluir o pensamento e já engatando uma nova história que acabava de surgir na sua mente.

Esse é Nizan Guanaes, um homem cheio de ideias, capaz de fazer links inimagináveis. Um dos pioneiros que levou a famosa criatividade dos baianos para o mercado publicitário foi o último a se apresentar no Scream Festival 2018, encerrando o ciclo de palestras com provocações e muitas propostas para a próxima edição. "Agora eu vou pedir para a plateia fazer o seguinte: vamos tomar um ácido”, brincou, fazendo o público rir. “A minha [droga] é endorfina e criatividade”, afirmou para, em seguida, sonhar com o futuro do centro histórico de Salvador.

"Nós vamos fazer um bonde que vai sair de lá do Mercado Modelo. Pensa bem, eu não sou maluco. Quer dizer, eu sou, mas... (risos da plateia). Vai sair de lá debaixo, vai subir aqui a [Ladeira da] Montanha. Tudo que eu te falar eu não criei. Eu vi. Esse bonde vai subir a Montanha, vai chegar aqui na Praça Castro Alves, vai pegar a rua aqui de trás, vai lá na Praça da Sé e volta. Depois a gente vai tirar a Câmara Municipal dali, ou a prefeitura, e fazer um centro... (risos da plateia). Isso aqui é um sonho, né? Então, não me atrapalhem (mais risadas). Vamos em frente. E faz um centro de convenções ali na cara do gol. E essa rua toda você vai fazer um monte de museu: o Museu Carybé, o Museu Jorge Amado”. Em seguida, Nizan continuou. “Vamos trazer o pessoal das startups, os escritórios de arquitetura, apoiar grandes empreendedores aqui como o Mazzafera. Dar espaço para que vocês, que são os novos baianos, possam morar aqui, ter mobilidade. Isso vai atrair dinheiro e dinheiro vai atrair pessoas. Foi o que aconteceu em Florença. Quando você fizer isso, vai conseguir reter a criatividade baiana”, garantiu o pensador baiano. 

De cabelos brancos e 60 anos recém-completados, Nizan segue com vivacidade de menino novo. Há 40 anos, quando começou na publicidade, pesava 170 kg. Agora tem orgulho de ter participado da maratona de Nova York, ter feito uma prova de triatlo no ano passado e estar se preparando para o IronMan daqui a uns 3 anos. "Meu pai morreu com 45 anos, ele foi traído pelo próprio corpo. Vamos criar corpos que aguentem toda essa criatividade e ser criativos na gestão da nossa felicidade”, aconselhou. E foi na busca pela felicidade que ele seguiu o conselho da psiquiatra. "As pessoas precisam viver o agora, plenas.  E a gente não pode perder isso. Essa coisa da felicidade. Por isso minha psiquiatra me mandou vir para a Bahia."

 

Se na década de 50 os garotos-propagandas ganhavam espaço na TV e no rádio com sorrisos dóceis e verbos no imperativo, em 2018 as marcas estão de olho em pessoas comuns, que acumulam seguidores nas redes sociais e são chamadas de “influenciadores”.

A partir de selfies, fotos tumblr, paisagens exóticas e filtros especiais, fazem divulgação de um look fitness, novas balas com colágeno ou o lançamento de uma bebida vegetal sem açúcar. Tudo isso feito por pessoas que usaram autenticidade como matéria-prima e ganharam visibilidade no universo digital.

A palestra sobre a indústria de influenciadores, ministrada por Raphael Pinho, sócio e co-diretor geral da Spark Influenciadores, discutiu o papel do influenciador como um veículo de mídia e sobre como o publipost pode ser incorporado ao conteúdo, sem se tornar uma interrupção da timeline.

No painel, mediado pela planner digital da Ideia 3, Paulinha Paz, dois influenciadores digitais soteropolitanos, Loo Nascimento (@neyzona) e Pedro Valente (@sigapedro), contaram suas histórias e deram dicas de como usar a influência sem perder a essência individual para dar visibilidade à marca.

 

“A mídia é o momento em que a atenção encontra o conteúdo”

Foi com essa frase que Tiago Afonso, diretor de desenvolvimento comercial e digital do Grupo Globo, iniciou a palestra sobre o ‘Futuro da mídia’. Nesse momento, o conceito que está em alta é o Branded Content, com conteúdos que divertem, informam e aproximam o consumidor da marca. Quando se fala em futuro, segundo ele, a plataforma que vai dominar é a voz e ela irá selecionar o que as pessoas vão consumir. “A voz será a próxima interface. Deixará de ser a tela”, previu.

Entrevista com Tiago Afonso (Grupo Globo)

Você falou, durante a palestra, que é preciso desconfiar dos números. Em que devemos confiar?

Não é apenas desconfiar por conta das fraudes, mas entender os números. Uma view na televisão significava que a pessoa viu seu comercial de 30 segundos. Uma view no digital significa que ele passou pela tela da pessoa, mas não necessariamente ela clicou no play e assistiu com o áudio. 

 

Qualquer pessoa pode fazer criação de conteúdo. Isso assusta os profissionais?

Todo mundo pode fazer conteúdo, mas, se esse conteúdo aparece em qualquer lugar, dito por qualquer pessoa, então ele não tem valor. Quando o conteúdo é feito por um publisher sério, que emprega jornalistas que estudaram dez anos a arte da produção de conteúdo, que tem designers, programadores, gente que tenta fazer aquele conteúdo se manifestar numa experiência agradável, criativa e que emociona, aí gera a escassez. É esse o conteúdo que tem valor. É o conteúdo que tem contexto, que entrega uma experiência positiva para quem consome. A escassez não é produzir conteúdo; é como fazer e como entregar.

 

Com o avanço do digital, ainda haverá espaço para a TV?

Claro que sim. Quando você entra nas redes sociais, boa parte do memes e dos assuntos gerados vieram a partir da TV. Significa que as pessoas viram a TV. As pessoas não migraram. Não viramos um algoritmo digital. Continuamos interagindo com todos os meios de comunicação. Os meios coexistem. A visão de substituição é antiga. A história nos ensinou que a próxima onda não mata a antiga.

 

Você tem dificuldade em convencer o cliente a fazer divulgação em outras mídias mais convencionais, que não sejam a digital?

As pessoas têm que fazer o digital. Hoje é o maior tempo de consumo diário. Meu papo com eles é “qual a experiência e mensagem que você quer promover para influenciar o comportamento das pessoas?”. É mais uma discussão de formato do que de local. A festa vai ser no digital, mas vamos combinar que música que vai tocar. Não quero confirmar a tese que o digital existe exclusivamente e todo o resto morreu. O que deve haver é a coexistência de meios e qual o formato a fazer.

 

Se no romance “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Jorge Amado, os salões do antigo Palace, primeiro hotel cinco estrelas de Salvador, já encantavam o público e eram cenário para o romance entre Vadinho e Dona Flor, não era de se espantar que a riqueza arquitetônica do prédio construído em 1934 chamasse a atenção do CEO e fundador da rede Fera Hotéis, Antônio Mazzafera.

Foi contando a história da Rua Chile, primeira do Brasil, local onde fica o empreendimento, que o empresário abriu o debate sobre história e cultura aplicadas aos negócios e contou como decidiu arriscar e apostar no investimento.

Mediado pelo jornalista Pablo Reis, do Grupo Aratu, o debate contou com a presença da empresária e promoter Licia Fabio, que há mais de vinte anos assina os principais eventos da capital baiana, e do criador de conteúdo, Iuri Barreto, responsável pelo perfil @soteropobretano, no Instagram.

O que todos eles têm em comum? A capacidade de traduzir e valorizar a história e cultura Salvador através do trabalho que realizam.

Entrevista com Iuri Barreto (@soteropobretano)

Você falou que não ganha dinheiro com o @soteropobretano. Com o que você trabalha?

Sou formado em direito, mas trabalho no marketing de uma empresa de turismo. Fico na parte de comunicação, dou treinamento para agentes de viagem, para tentar multiplicar esse conteúdo de Salvador e multiplicar a venda de pacotes para cá.

 

Quando tem tempo para produzir conteúdo?

Normalmente nos finais de semana ou quando tenho um tempinho à noite. Estou sempre tentando guardar um pouquinho dos posts para usar durante a semana.

 

Você fica preocupado com essa questão do politicamente correto nas suas publicações?

Lógico. Ninguém quer prejudicar, cometer algum tipo de preconceito ou ofender alguém. Sou muito preocupado e criterioso com o que eu posto.

 

Onde você espera chegar? Pensa em ir para o YouTube?

Já tenho um site no Aratu Online e estou tentando dar uma repaginada. Mas essa parte de exposição na frente das câmeras não é minha praia, não. Gosto de texto e fotografia. Não gosto de aparecer. Tanto que tem gente que pensa que é uma equipe que escreve a página.

 

 

Como você pensa em monetizar?

Não faço a menor ideia. Uma vez na vida e outra na morte alguém me procura para fazer um post patrocinado, mas em 90% dos casos eu não aceito. Só posso aceitar se tiver a ver com a página. O último post patrocinado que eu fiz foi uma campanha da 99 pop. Mas se eu dependesse disso, não ia conseguir sobreviver.

 

Qual a sua dica para quem está começando?

Autenticidade. Parece discurso barato de coach, mas é verdade. Tem que ser você, porque a internet já está cheia de gente fake. É preciso ter respeito às pessoas e escolher seu nicho. Depois do sotero surgiram várias páginas parecidas. Que bom que isso aconteceu, porque isso mostra que as pessoas mudaram a postura em relação à cidade.

 

“O que mais vale na experiência de mídia: experiência ou inovação?

É preciso saber qual o objetivo do anunciante”. 

Fábio Freitas, VP de mídia da FCB

 

Somos muito cobrados para dobrar o lead, só que às vezes os dados estão direcionados, mas o preço e praça podem estar errados”.

Lucas Reis, CEO da Zygon

 

DICA SCREAM | NÃO SE DÊ AO LUXO DE PERDER OPORTUNIDADES

 

1 - Identifique um meio e se especialize.

2 - Domine inglês.

3 - Esse é um estudo muito novo? Então você será o primeiro.

 

Não sei se você está lendo esse texto através de uma tela, mas, segundo as previsões do Scream Festival 2018, este ano seria o começo do fim do smartphone.

Segundo o vice-presidente de planejamento da Sunset Comunicação, Cleber Paradela, plataformas sem tela, baseadas em voz, vão ultrapassar os modelos de celular nos próximos anos. 

Por conta dessa mudança, as marcas terão que desenvolver narrativas de voz para se comunicar com o público. Implantes, microchips, aparelhos smart, roupas, jaquetas, celas de cavalo e até camisinha estarão conectados com personal assistants, que funcionarão através de voz e gestos. Para nós, do ano 2018, isso ainda soa estranho, mas deve ser normal para você, leitor do futuro. Será que acertamos?

PING PONG COM CLEBER PARADELA (SUNSET)

 

Já existe modelo de propaganda adaptada para a nova plataforma de voz?

As plataformas do Google e da Amazon já aceitam marcas que conseguem criar aplicativos nesta plataforma. Marcas de cerveja, bebidas, sopas, já conseguem fazer isso lá fora. No Brasil, o movimento começa agora. O Google começou a falar português há menos de um mês.

 

Como o profissional pode se preparar para esse novo mercado?

Ninguém está preparado. É muito recente, muito novo. A melhor forma é testar. Quando você começa a usar, você começa a entender como funciona. Foi assim que eu comecei a trabalhar com internet. Eu usava tanto antes das pessoas entrarem que, quando se popularizou, eu estava pronto para trabalhar com aquilo. Minha recomendação para que quem trabalha com comunicação e propaganda é ficar mais atento para esse movimento. Estude mais sobre isso, compre um assistente de voz para sua casa. É barato. Manda trazer dos Estados unidos.

 

Você já usa? Como é a experiência?

Uso na sala o Google Home e a Alexa no quarto e cozinha. Tenho duas justamente para testar. Controlo a casa inteira por voz. Programo luzes, som, TV. De vez em quando algumas coisas dão errado, mas com a internet no início também era assim. Só de lembrar que a gente tinha que esperar dar meia noite para usar um pulso telefônico para não gastar e rezar a madrugada inteira para ninguém tirar o telefone do gancho para não cair a internet. A gente se acostuma com o improviso até as coisas se estabilizarem.

 

Ouvi isso no Scream 2018

 

“85% das intenções dos consumidores vão ser realizadas sem interação humana até 2020”. 

Cleber Paradela, vice-presidente de planejamento da Sunset Comunicação.

 

“Vamos ter que começar a criar narrativas para a marca” 

Cleber Paradela, vice-presidente de planejamento da Sunset Comunicação.

 

Foi mostrando fotos de uma corrida de rua

voltada para crianças, realizada na década de 80,

que o CEO da Dream Factory, Duda Magalhães,

começou a falar sobre o mercado de eventos.

Analisando a evolução desse mercado, os avanços são visíveis, mas a Bahia ainda fica atrás do eixo Rio-São Paulo. Distante das matrizes das grandes empresas, o Estado ainda sofre com a dificuldade de captação de patrocínio, falta de incentivos ficais do governo, além de ter nichos que ainda não foram explorados.

A conclusão foi de que, apesar de ser considerada a terra de grandes carnavais, a Bahia ainda tem muito a crescer no mercado de entretenimento. 

 

Entrevista com Marcelo Brito (Salvador Produções)

Qual a vantagem que a marca tem em patrocinar um evento com tantas opções de mídia?

É um resultado 360º. Existe a exposição da marca diretamente para o público consumidor, em algumas situações há também a exposição ou consumo do produto e o envolvimento com artistas. Além disso, o evento contempla todas as mídias: rádio, TV, panfleto, cartaz, outdoor e digital.

 

O que deve ser feito para reinventar o mercado de Salvador nos próximos anos?

Tem tanto tipo de evento que Salvador está precisando. Algo como Lollapalooza. Existe um mercado alternativo muito forte aqui em Salvador que não tem grandes projetos. Eventos esportivos também podem ser explorados.

 

Em 2018, muito se fala sobre a indústria criativa que, teoricamente, seria o termo utilizado para explicar atividades econômicas que têm a ver com criatividade e comunicação.

 

A palestra do professor Paulo Brito desconstruiu esse conceito. Segundo ele, a criatividade sempre foi primordial para a sobrevivência humana, desde os períodos de caça e extração, há 90 mil anos; na agricultura, há 10 mil anos; ou na indústria, a partir da Revolução Industrial. A diferença é que agora a criatividade é considerada matéria-prima e passa a ser a protagonista.

O conceito de branded entertainment se tornou fundamental para aproximar as marcas dos clientes, trazendo novas linguagens para a publicidade e o marketing. “Você é o gestor de sua carreira”: A frase dita pelo palestrante poderia ser apenas teoria, mas ele consegue mostrar também na prática como os profissionais do futuro podem romper cada vez mais com o modelo engessado da academia e aplicar novos modelos de formação.

“Certa vez estava dando uma palestra sobre cinema em uma faculdade e um aluno me perguntou: ‘Qual a sua formação?’. Foi interessante essa pergunta, pois sou meio que underground, trabalho no submundo. Minha formação teve um caminho meio tortuoso”, diz o professor. No ano de 2003, Paulo começou a estudar na Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas precisou abandonar o curso para trabalhar.

Na época, Paulo preparou uma carta para alguns professores, explicando que deixaria a faculdade, mas que gostaria de continuar aprendendo. “Xeroquei as ementas do curso e comecei a manter contato com os professores através de e-mail e ICQ. Ia estudar na Biblioteca Nacional. Não tinha dinheiro para comprar livro, então tinha que ler na livraria ou biblioteca. O pessoal da Livraria Siciliano, que ficava no Shopping Botafogo, já me conhecia. Ficava na ala das crianças, porque ninguém me perturbava. Pedia um suco de laranja, para não dizer que não tinha consumido nada e passava a tarde toda lá, até fechar a loja”, recorda.

Com força de vontade e disciplina, Paulo se tornou referência entre os professores e passou a conhecer docentes de outras universidades, como Unicamp, USP e até de outros países, como Portugal. “Fiz praticamente um curso inteiro de fotografia botânica com um professor de Coimbra, através do Skype”, conta. Montando sua própria grade de estudos, Paulo conseguiu a certificação internacional pela Adobe, nos programas After Effects e Premiere, além do Maya, pelo Autodesk. Ele foi uma espécie de precursor informal do que hoje é conhecido como EAD. “O mundo está muito mudado em relação à formação. 15% dos funcionários da International Business Machines (IBM) não têm nível superior. O Google e a Microsoft também seguem a mesma linha, por isso, cada vez mais surgem os bootcamp, que são treinamentos de alto impacto para formar a própria mão de obra das empresas”, destaca.

 

Infinity School - Talvez você, Leitor do Futuro, conheça diversas escolas criativas, com ilustração 3D, design digital, animação e edição, mas em 2018 a Infinity School trouxe um conceito inusitado para Salvador. “Minha história em relação à indústria criativa e computação gráfica nasce em 2004, quando comecei a vislumbrar, dentro dos softwares de computação gráfica, a potencialidade de explorar meu lado artístico e agregar à tecnologia. Lendo artigos sobre indústria criativa, resolvi me dedicar ao estudo dessa área. Foi quando apresentei aos sócios da 3D Reality, que tem filiais em Miami, São Paulo e Brasília, o universo da indústria criativa e eles abraçaram a ideia, apostaram no conceito e surgiu a Infinity”, descreve.

 

Jéssica Silva | aluna Infinity School
 

Fundadora da startup “Dr. Cannabis”, Viviane Sedola conta que se sentiu emocionada quando chegou ao aeroporto de Salvador e foi recebida por um rapaz  do Scream Festival que segurava uma placa com o nome da empresa dela. 

 

Leitor do Futuro, me tire uma dúvida.

Em 2030, falar em cannabis ainda é um tabu no Brasil? 

 

Considerado crime pela Lei n.º 11.343 de 23 de agosto de 2006, o plantio da cannabis ainda é proibido no Brasil, mas a descriminalização do plantio da maconha para uso medicinal foi aprovada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal, quatro dias após a palestra de Viviane.

O assunto ainda é polêmico e muita água vai rolar, ou seria melhor dizer que muita fumaça vai se dissipar - só para tentar fazer um trocadilho – porque, na verdade, a cannabis utilizada como uso medicinal vem em forma de gotas sublinguais ou óleo essencial. E é justamente esse o objetivo da startup: fazer o link entre paciente e médico, a fim de conseguir prescrição para receber liminar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o consumo da erva. Utilizada no tratamento de doenças crônicas, como Alzheimer, epilepsia e esclerose múltipla, a cannabis ainda é um mercado em potencial no Brasil. E bota potencial nisso, já que a startup já recebeu R$ 750 mil em financiamento coletivo, somente este ano.

Entrevista com Viviane Sedola (Dr. Cannabis)

Como surgiu a ideia de criar essa plataforma?

Eu já tinha co-fundado outra startup, a Kickante, que é um empreendedorismo social. Quando eu saí de lá, eu tinha muito claro que eu tinha que seguir nesse ramo. Enxergamos no mercado da cannabis um nicho mais reprimido. As pessoas já usam, já consomem, já precisam de cannabis medicinal, mas falta a regulação. Enxerguei uma grande oportunidade, uma tendência mundial. Muito pouco está sendo feito no Brasil. Faltava essa base de comunicação. Precisamos de uma via midiática para fazer com que esse tipo de lei seja, de fato, protocolada e cumprida.

 

Você acredita que Donald Trump use a legalização da cannabis como bandeira nas próximas eleições. Como você vê isso no Brasil?

Seria ótimo se Trump fizesse isso. No atual governo do Brasil, que é bem focado no mercado, acredito que vamos conseguir pelas vias econômicas. Os benefícios da legalização são muitos, não só para a saúde, mas para a parte econômica e segurança pública - se tirar do tráfico diminui a violência. O Brasil já está atrás da tendência mundial. Aqui na América Latina, só Brasil, Guiana e Suriname são países que ainda criminalizam o usuário. Fomos o último país da América Latina a abolir a escravidão e devemos ser o último a fazer essa regulação também.

 

Já que estamos em um evento de criatividade, a cannabis auxilia também nessa questão?

Não existe pesquisa sobre isso, mas o que posso te dizer é que parar criar uma empresa falando de cannabis, que esteja dentro da lei do Brasil, precisa de muita criatividade, sim. Estamos totalmente dentro da lei, mas, como isso ainda gera receio em algumas pessoas, procuramos sempre maneiras criativas de falar sobre o tema, inclusive, porque não conseguimos fazer nenhuma mídia digital usando o termo cannabis. Não consigo anunciar em Face, Instagram, nada. Precisamos procurar meios alternativos e criativos para alcançar as pessoas.

 

sobre UX & Business: Por que reinventar a experiência do usuário é necessário?

 

Ouvi no Scream 2018

“Muitas oportunidades não vão surgir de produtos revolucionários, mas sim de novas experiências que vão agregar mais valor”.

Diego Nunes, Cubos Tecnologia.

 

“Vá para a rua; saia do prédio; busque saber quem é seu usuário”.

Diego Nunes, Cubos Tecnologia.

 

De um lado, um dos fotógrafos mais

premiados da Bahia. Do outro, um jovem artista que,

com uma câmera fotográfica, conseguiu reunir mais

de 56 mil admiradores em uma rede social,

mostrando belezas naturais do Subúrbio de Salvador.

O que ambos têm em comum? A paixão pela cidade e o olhar apurado para capturar o “instante decisivo”, como diria Cartier-Bresson, de lugares aparentemente comuns, que se tornam mágicos pelo olhar do artista.

Ouvi isso no Scream 2018

“É preciso saber transformar a criatividade em negócio, de forma respeitosa, colocando a arte onde ela deve estar”. 

Adriana Cravo. Fundadora da Musa Projetos Culturais e Empreendimentos Criativos.

Entrevista com Anderson Simplício (Belezas do subúrbio)

Você consegue se manter financeiramente trabalhando com criação de conteúdo?

Não. Todos os investimentos saem do meu bolso. Algumas postagens de restaurantes e lugares que eu divulgo, eles me dão uma ajuda, mas câmera, deslocamento, eu que invisto. Trabalho no Hospital São Rafael como assistente financeiro e é lá que ganho meu sustento..

 

Você pretende expandir, fazer fotos de outros locais, outros países?

Ainda não pensei nisso, não. O Subúrbio é muito grande, tem muitas histórias para contar. Ainda quero fazer uma websérie com pessoas, lugares, contar histórias.

 

Pretende usar outras plataformas, como o YouTube?

Sim. Penso em fazer o link do Facebook, Instagram e YouTube.

 

Já que estamos falando de pertencimento, qual a diferença do projeto ser feito por alguém que vive no local e por alguém que vem de fora?

A gente sabe onde está pisando. Eles vão ter um olhar de “pena” do Subúrbio. A gente já conhece, sabe que tem muitas pessoas necessitadas, que o lugar tem conflitos sociais, mas sabemos onde podemos entrar, chegar, fotografar, encontrar arte.

 

Hostilidade, silêncio e omissão. O Assédio no mercado de trabalho.

VOCÊ SABIA??

- 90% das mulheres e 76% dos homens afirmaram ter sofrido algum tipo de assédio moral ou sexual;

- 99% das pessoas disseram que ocorrem situações de assédio moral no ambiente de trabalho (89% das mulheres e 85% dos homens disseram que isso ocorre frequentemente);

- 30% dizem já ter sido assediados por presidentes ou sócios;

- 22% dos estagiários ou assistentes dizem já ter sido assediados por presidentes ou sócios;

- 22% dizem já ter sido assediados por clientes;

- 51% dos homens e 2% das mulheres afirmam ter tido algum sintoma de saúde como falta de ar, depressão, crise de choro, insônia ou sono excessivo, dor de cabeça, ansiedade ou pensamento suicida;

- Das 823 mulheres que sofreram assédio moral, apenas 101 denunciaram formalmente e 17 viram alguma providência.

 

Entrevista com Lara Thomazini

O assédio dentro das agências se reflete nas propagandas?

Sim. É um mercado que, por muitos anos, foi liderado por homens brancos e heteros. Não são todos do mal, mas não conseguem trazer um olhar representativo para o conteúdo que produzem. Os piores aspectos dessa cultura acabam vazando para a propaganda. Algumas propagandas que a gente idolatra são super machistas e racistas. Só quando os espaços publicitários forem realmente representativos a gente vai ter um conteúdo representativo de verdade, senão é da elite para a elite.

 

Você já se reconheceu como assediadora?

Sim. Na minha situação, eu sempre tive em posições menores. Mas a gente se reconhece. Talvez não de maneira serial, mas pontualmente em alguma coisa que você fez ou falou, alguma grosseria. As relações não devem ser desse jeito e a gente sabe que erra.

 

Quais as ações que podem ser feitas para combater o assédio?

A gente exigiu das agências três coisas: apresentar a pesquisa, fazer uma cartilha e declarar tolerância zero. Pouquíssimas fizeram. As agências precisam estruturar a área de RH para que seja um espaço de acolhimento para os funcionários. É preciso também dar treinamento de gestão. Temos que criar canais de compliance e ter uma liderança aberta que saiba construir e trazer diversidade.

 

Nascida e criada na cidade de Juazeiro, a baiana Candice Pascoal viu seu nome ser projetado internacionalmente ao criar uma das plataformas de crowdfunding mais requisitadas do Brasil, a Kickante.

Por isso, ninguém melhor do que ela, uma especialista em realizar sonhos através do financiamento coletivo, para falar sobre a importância da inovação em tempos de crise.

Para aquecer o debate, mediado pelo jornalista Matheus Carvalho, do Grupo Aratu, o painel contou com a idealizadora de um serviço de transporte colaborativo exclusivo para mulheres, Gabyella Correa, do Lady Driver; do CSO da única AdTech do Norte-Nordeste, Urbano Sampaio, da Zygon; e do titular da Secretaria Cidade Sustentável de Salvador, André Fraga.

 

 

E aí, amigão? Você tá fazendo tudo isso em 2030? 

 

 

►“Empreendedorismo é mistura de arte e negócios” (Candice Pascoal)

► “Inovar é resolver emoções” (Candice Pascoal)

► “O produto é estável, gente não” (Candice Pascoal)

►“Inovação não está na solução. Está no problema” (Candice Pascoal)

► “O inovador precisa estar confortável com o erro” (Candice Pascoal)

► “O caminho da inovação é solitário” (Candice Pascoal)

► “Nem tudo que você faz te traz dinheiro, mas vai te impulsionar” (Candice Pascoal)

► “Se você está no Scream Festival tem algo dentro de você para executar e inovar” (Candice Pascoal)

 

Por que as agências precisam repensar seu modelo mental?

Ouvi isso no Scream 2018

 

“Estar fora das agências me fez enxergar mais e melhor, já que debaixo da luz é sempre o lugar mais escuro”. 

Ken Fujioka, sócio-fundador da Ada Strategy

 

“No mercado de trabalho há excesso de trabalho e excesso de ego”. 

Ken Fujioka, sócio-fundador da Ada Strategy

DICA SCREAM

 

Passo a passo para evitar o assédio no ambiente de trabalho 

(por Ken Fujioka)

1. Não repassar conteúdo machista e homofóbico

2. Chamar a atenção do “brother”

3. Chamar a atenção do desconhecido (incluindo o chefe)

 

O que assistir e ouvir:

- “The Mask You Live In” (Documentário)

- “Precisamos falar com os homens?” (Documentário)

- “Nanette”, de Hannah Gadsby (Documentário)

- “Masculinidade e sentidos”, Mamilos (Podcast)

 

Criatividade gera riqueza? 

E na Bahia?

 

“As diferenças fazem a diferença”. A expressão gravada na biografia de suas redes sociais denuncia o DNA baiano do publicitário Maurício Magalhães, palestrante convidado do primeiro dia de Scream Festival. Dono de uma série de frases de efeito que tiram qualquer um da inércia, ainda que mentalmente, Maurício é categórico quando o assunto é gerar riqueza na Bahia: deve-se aliar criatividade com a diversidade que só o estado tem. 

No salão de festas do Fera Palace, onde as salas são identificadas com nomes de personagens do autor Jorge Amado, Maurício apresentou uma Bahia ingrata e cheia de potencial, bem parecida com o que Jorge nos conta em alguma de suas obras. O publicitário levou nomes como Paulo Rogério¹, Dr. Elsimar Coutinho², Fernando Peixoto³, Henrique Perobelli4 e Ricardo Castro5. Baianos com grandes feitos pelo mundo, mas completos estranhos dentro de casa.

Declaradamente fã de Carlinhos Brown, Maurício também pontuou o multitalento do cantor, que hoje tem morada fixa em São Paulo. Antônio Carlos Santos de Freitas é artista plástico – tem obras nunca expostas, feitas apenas por lazer --, compositor, cantor, modelo, mecenas, empreendedor e gênio, como definiu o próprio publicitário, que lamenta a ‘exportação’ de Brown para a região sudeste.

Em sua palestra, Maurício comparou Salvador a Barcelona e Cartagena das Índias, pelo potencial de transformação. “Todas eram degradadas, pobres e porcas. Se ambas conseguiram mudar, por que com Salvador seria diferente?”. Apesar do otimismo, o publicitário alerta para os caminhos que o baiano tem escolhido, do ponto de vista da cultura, de um modo geral. “Estamos virando um ‘lepo lepo’, rindo de uma cultura silábica e revirando os olhos para João Jorge e o Olodum". 

O empreendedor ressalta ainda a importância de cada um acreditar em seus sonhos e crenças, até mesmo na hora de empreender. “O maior indicativo da nossa mediocridade é não valorizarmos nossas próprias ideias. Se Mark Zuckerberg nascesse na Bahia, nunca criaria o Facebook”. 

Ao resgatar o slogan “Bahia: terra da felicidade”, trecho da canção “Na Baixa do Sapateiro”, de Dorival Caymmi, e difundida durante o governo de Antônio Carlos Magalhães, Maurício criticou a perda da essência dos baianos como um povo feliz e afirmou que o estado está perdendo bussiness, querendo copiar modelos de outros lugares e não valorizando a própria criatividade e capacidade de se mostrar para o mundo. 

Todos os casos exitosos citados por Maurício no início do Scream Festival já apontavam a direção do que foi o evento: criatividade gera riqueza na Bahia, sim, desde que se valorize o talento do baiano, desvinculando-se da ideia de que o que há fora dela é melhor.

 

Ouvi isso no Scream 2018

“Nosso olhar sobre nós mesmos é o que nos empobrece” 

Maurício Magalhães, presidente da Agência Tudo

“Ideia e nada são a mesma coisa se você não fizer acontecer” - Maurício Magalhães 

Maurício Magalhães, presidente da Agência Tudo

Break com Paulo Rogério

Como foi sua infância e adolescência em Salvador?

PAULO ROGÉRIO: Nasci e fui criado

 na Suburbana, gostava muito de onde vivia, mas nunca achei que lá deveria ser o único lugar para eu crescer. No início da adolescência eu furei a bolha. E aí entra uma parte importante para quem quer empreender, porque eu passava as tardes andando pela Graça e pelo Pelourinho. Lá – no Pelourinho - aprendi inglês, de graça, conversando com diversos tipos de pessoas de vários países e ampliando mais minhas perspectivas sobre o mundo. 

Quais dicas você daria para quem pensa em empreender na Bahia?

PR: É preciso furar a bolha! Aproveitar o turismo e valorizar a nossa criatividade e diversidade. Sair daqui é importante, ampliar experiências, mas voltar é essencial, trazer bagagem em benefício do nosso estado. Segundo que a gente precisa sair da inércia e da ideia errada de que basta ter uma ideia genial ou talento, é importante que haja planejamento para que as coisas saiam do papel.

Qual o principal objetivo do Vale do Dendê?

PR: Nós queremos fazer justamente isso que eu prego tanto: valorizar o que temos aqui dentro. O Vale do Dendê é uma aceleradora de startups e acredita muito que a Bahia pode ser o estado mais inovador do Brasil. Apostamos nos sonhos dos baianos.

 

TOP 10 PARA GERAR RIQUEZA NA BAHIA POR MAURÍCIO MAGALHÃES

  1. Se lixe para o reconhecimento.

  2. Ame o dinheiro.

  3. Siga o seu sonho e crença.

  4. Controle suas ideias e foque em planejamento e gestão, faça acontecer!

  5. Pense nacional, pense global e tenha um “quê” de petulância na defesa de suas ideias.

  6. Seja resiliente como Brown.

  7. Seja global como João Jorge.

  8. Invista na Bahia se for ganhar dinheiro. Se não, ajude ou invista no Hospital Irmã Dulce.

  9. Teste derradeiro: não pedir ingresso ou abadá. Proíba-se. Se superar isso, você já venceu. 

  10. Não seja carlista nem petista. Seja você, cidadão, empresário. Seja a Bahia.

 

Oi, Leitor do Futuro! No Scream Festival 2018 um publicitário chamado Maurício Magalhães elencou sete oportunidades de negócios para Salvador. São elas:

  1. Aplicativo para aluguel de lancha.

  2. Posicionar o Carnaval da Bahia como a maior festa gay/LGBT do planeta.

  3. Produção de um roteiro cultural afrodescendente para turistas.

  4. Maior festival de cinema afro do mundo.

  5. Scream no SXSW do hemisfério sul.

  6. Contratar head hunter de empreendedores inspirados em Mazzafera.

  7. Criação de um grupo multidisciplinar de trabalho.

Algum desses pontos já é realidade em 2030? A estrela do maior cinema afro do mundo, por acaso, morou no Curuzu? Não deixe que se esqueçam de dar o crédito das ideias de negócio para Maurício, hein?!

 

Era empatia que faltava. Quem não é fã não entende. A estudante que acompanhava inquieta a palestra de Giuliano Chiaradia, no Teatro Gregório de Mattos, trocou a atenção no head digital do Sistema Brasileiro de Televisão pela experiência empírica.

Como uma aula prática no laboratório comportamental do Scream Festival, Giuliano explicava cada etapa para a jovem fã que queria ajuda do pai para conhecer o ídolo no dia seguinte. “Mexe com nossas emoções”, já dizia o publicitário, já demonstrava a estudante.

Admiradores, simpatizantes, seguidores ou followers: nas redes sociais os quatro termos fazem todo sentido, mas nenhum desses se compara ao amor de fã. Pelo menos é assim que o SBT se relaciona com os chamados “sbtistas”. Com certo ar de orgulho, Giuliano revela que o SBT é a única emissora que possui fãs espalhados pelo Brasil. E, para não decepcionar, o grupo conta com mais de 190 perfis ativos nas redes sociais, para atender a demanda.

Os entusiastas do conteúdo do SBT também são responsáveis por promover o que é produzido e exibido na TV aberta. A equipe conta com a memória afetiva e empatia de cada um dos seus fãs para gerar engajamento, construindo uma narrativa com personagens históricos da televisão brasileira, como Chaves, juntamente com sua turma da vila, e o próprio Silvio Santos, que possui programa fixo no final da tarde de domingo. 

 

 

BREAK COM GIULIANO CHIARADIA

Como funciona a dinâmica de trabalho de vocês para dar conta de tantos perfis nas redes sociais? 

GIULIANO CHIARADIA: Somos uma equipe de 30 pessoas e a gente recorre sempre à estratégia do planejamento, chamado Hero Hub Help, que ajuda muito a gente na hora de eleger o conteúdo que a gente vai trabalhar. Nós não trabalhamos as 191 contas ao mesmo tempo, elegemos algumas e vamos fazendo disso uma escala. Mas nossa prioridade, em todas elas, é responder os seguidores da forma mais imediata possível. O imediatismo é um dos nossos valores.

 

Os fãs que aparecem nas redes sociais são diferentes dos que estão acompanhando a programação da TV?

GC: Completamente. E nós entendemos isso como algo positivo. O público fiel que está na TV tem um tipo de comportamento e o do Facebook, por exemplo, já quer outro tipo de conteúdo. Você precisa saber dialogar com os dois. A produção dos programas está sempre integrada à produção das redes sociais, o que é saudável para nós, mas isso não necessariamente influencia nas formas de trabalho de cada um.

 

Como você enxerga o potencial da Bahia na publicidade virtual, mais voltada para redes sociais? 

GC: Nós acompanhamos tudo que nossa afiliada faz aqui e gostamos muito do que tem sido desenvolvido. A Bahia é um celeiro de criatividade e nos divertimos acompanhando as contas da TV Aratu porque eles têm uma irreverência que conversa com o público deles. Acho que nós é quem temos muito o que aprender sobre criatividade com os baianos.

 

OUVI ISSO NO SCREAM 2018

“Não existe ninguém melhor para falar de uma marca do que um fã” 

Giuliano Chiaradia - head digital do SBT

 

Se na época do “Pau que nasce torto” - cantado pelo É o Tchan e não pela La Fúria – ser Carla Perez ou Jacaré era legal, o lado cool da dança se resumia a isso.

 

Desde então, nada mais ficou tão marcado quanto a coreografia do “bota a mão no joelho, dá uma agachadinha” e o resto você já sabe de cor. A startup FitDance, fundada pelos irmãos Fábio e Bruno Duarte, revolucionou a dança no Brasil. O número de visualizações nas redes sociais é mais alto que uma sarrada de respeito: são mais de 4 bilhões de views, 20 milhões de praticantes em todo o mundo, e mais de 1 milhão de aulas por ano. 

“Nós queremos fazer parte da vida das pessoas, tornando a vida delas mais feliz, isso nos motivou a procurar ir tão longe”, revela Fábio, enquanto fala sem parar quieto no palco montado no Teatro Gregório de Mattos.  Em uma apresentação de pouco mais de uma hora, Fábio e Bruno conseguiram surpreender quem assistia à palestra e não imaginava a dimensão da startup.

 Tendo como apoio a Agência Califórnia, a FitDance é dividida em quatro núcleos: a FitDance Academy, a FitDance Network, a FitDance Style e a FitDance Entertainment. “Nós não queremos fazer mais do mesmo, a ideia sempre foi criar um novo conceito a partir da dança e acho que estamos conseguindo fazer isso”, conta Bruno, um pouco mais sério que o irmão. 

Os países que já recebem a presença da marca são Argentina, Paraguai e México. Bruno conta que o próximo passo é conquistar alunos e seguidores na Índia, país que já tem forte tendência a ‘meter dança’. Na internet, a Fit não tem fronteiras: são cinco canais voltados para cada público específico. FitDance TV, FitDance Life, FitDance Channel, FitDance Swag e FitDance Teen são os perfis online da empresa que lucra mais de R$ 10 mil por apresentação. 

Além das parcerias com grandes marcas como Puma e RedBull, e artistas, a startup não fica parada. Bruno e Fábio contam sobre a linha de roupas exclusivas idealizadas, produzidas e vendidas pela própria empresa. “Nós criamos um novo estilo de se vestir. Hoje, se você vê alguém na rua com uma roupa nossa já sabe que ela é uma profissional da dança, não rola mais aquele preconceito, sabe?”.

Sabemos, Fábio! A FitDance mudou até a forma de curtir o Carnaval de Salvador. Se você for do Farol até Ondina durante os dias de festa vai ver uma multidão de foliões fazendo os passos da Fit Dance. “Nós incorporamos um novo estilo de diversão e isso é uma das coisas de que mais nos orgulhamos”, completou. 

Alcançar o sucesso não foi fácil. Bruno revela que os dois erraram alguns passos. “Nós tivemos que ir fazendo e aprendendo, estudando, nos especializando e, enquanto isso, erramos muito. A dica é errar rápido e já partir para a próxima tentativa. Nada de sofrer demais e nem desistir”. 

E se, ao contrário, tiver muita sofrência, Fit Dance neles!

MÃO NA CABEÇA

Bruno Duarte é mais sério, não se move muito enquanto apresenta os números de sucesso da empresa da qual é sócio, em parceria com o irmão, Fábio Duarte. Enquanto o Fabio é responsável pela parte artística da empresa, como as coreografias e produções, Bruno Duarte fica com a parte de administração e finanças. É formado em Administração com Habilitação em Comércio Exterior pela Universidade Católica do Salvador (Ucsal) e já trabalhou na Caco de Telha, que hoje é a IESSI, da cantora Ivete Sangalo. 

 

MÃO NA CINTURA

O famoso “Big Boss”, como é chamado pelos funcionários, já foi mais conhecido como “Fábio Molejo”. Era ele quem montava as coreografias do É o Tchan, junto com os amigos da Trupe Dance, que hoje trabalham para a Fit. Fábio foi dançarino do ballet de Ivete Sangalo e chegou a namorar a cantora. Iniciou os estudos em publicidade na Ucsal, mas não se formou  para se dedicar mais à dança. Além de dançar – e cantar, em algumas produções da startup -, Fábio também participa  da parte comercial do negócio.

 

SEGUINDO OS PASSOS DA FITDANCE

  1. Ser disruptivo, mudando o mercado e não se adaptando a ele

  2. Estudar muito e ficar atento às novas tecnologias, surfando na onda rápido e aproveitando as oportunidades

  3. Quanto maior o problema, melhor. 

  4. Pensar globalmente.

 

 

 

O Caso lady Driver - o sofrimento transformado em idéia Milionária

Gabriela Correa começou a empreender como muitos pelo Brasil: sem estudar as possibilidades antes de começar a “meter a mão na massa”. E, assim, ela quebrou. A empresa não conseguiu se sustentar e Gabriela ficou desempregada. Foi então que aproveitou sua primeira formação, como nutricionista, e passou a trabalhar na obra de um estádio, no Rio de Janeiro, pouco antes da Copa. Era responsável pela comida dos funcionários e, apesar de descrever como um período ruim, estava lá para juntar dinheiro e tentar se reerguer. Meses depois, de volta a São Paulo, sofreu assédio dentro do carro de um motorista de aplicativo. A sensação de incapacidade durou só até sair do carro. 

Por causa do incidente, Gabriela teve um insight. Criar um aplicativo - semelhante ao que a colocou naquela situação angustiante - só que apenas para passageiras e motoristas mulheres. Pediu dinheiro emprestado para a mãe e desenvolveu o serviço. Um ano e oito meses depois, é CEO do quarto aplicativo de transporte mais utilizado na cidade de São Paulo. O Ladydriver oferece renda de 6 a 8 mil reais por mês para as motoristas, de acordo com Gabriela.

“Eu ofereço segurança e liberdade para as mulheres, é disso que a Ladydriver é feita, além do preço ser justo”, disse, garantindo que homem também pode entrar nos carros, desde que esteja acompanhando uma mulher. 

A empresária acredita que o empreendedorismo feminino na Bahia pode ser ainda mais forte e conhecido pela diversidade e força da mulher baiana. “Empreender é correr riscos. Acho que a cidade tem um potencial que precisa ser valorizado ou, mais primariamente, descoberto pelas mulheres baianas. Todo mundo tem seu propósito dentro do empreendedorismo, só não pode desistir”. 

 

CASES E CASOS

Em um dia comum no “Galpão Pink” do Ladydriver, Gabriela recebeu uma foto de sua mãe, que aparece aos 12 anos segurando um troféu, numa homenagem ao dia dos pais. A imagem ficou anos no escritório do pai, onde Gabriela não vai há anos. 

Na vestimenta, do lado esquerdo, um dos acessórios tem “Lady” gravado. Para Gabriela isso é sinônimo de um sinal do destino.  “Vasculhem a vida de vocês. Nela já tem algo mostrando sua missão no mundo”, disse, emocionada.

Olá, leitor do futuro! Olha que louco: em 2018 uma mulher teve que criar um aplicativo de transporte que só aceita mulher, tanto para dirigir quanto para transportar, para que elas se sintam seguras e fujam do assédio. 

Em 2030 a sociedade já evoluiu a ponto de não precisarmos disso? 

 

A onda do momento são as startups, mas você sabe exatamente o que é isso?

Startup é um novo tipo de empreendimento comercial cujo objetivo é desenvolver um modelo de negócios viável para atender a umanecessidade ou problema do mercado. Agora você está pronto para conhecer Lucas Reis, CEO da empresa Zygon, e palestrante do Scream Festival. Ele é PhD em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia, Pesquisador do Laboratório de Análise de Dados do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital. Mas o mais interessante é que Lucas sonha alto e realiza coisas. Inspiração para todos que assistiram a sua apresentação no Fera Palace. 

O baiano espirituoso e de sorriso largo acredita que a Bahia pode ser global, do ponto de vista do empreendedorismo. Sabe exatamente a diferença entre necessidade e oportunidade e acredita que alinhar os dois é a melhor coisa que um empreendedor em potencial possa fazer. A palavra de ordem é projetar. 

“Não é preciso se preparar para o mercado de agora, mas pra daqui a 10 anos, sentir para onde a tendência está levando as coisas e segui-la”. E quem seguiu Lucas para um painel de discussões, logo após sua palestra, foram Camilo Teles (Antecipa), Leandro Barreto (Sebrae) e Paulo Rogério (Vale do Dendê), que, em uma conversa bem coerente, chegaram às seguintes questões: o empreendedor precisa sair da Bahia e ir para o Rio de Janeiro e São Paulo, a fim de ampliar as percepções de mercado; criar em Salvador mas não pensar somente para o público de Salvador; trazer gente para investir na Bahia. 

“É preciso achar estratégias para ser validado em outros espaços. Você vai ouvir muito ‘não’, mas quando receber um ‘sim’ faça eles pensarem ‘como sobrevivi sem essa pessoa’?”, disse Camilo Teles. 

A conversa se estendeu com a participação de David Wilson, empreendedor de mídia e fundador do site americano The Grio. Wilson está passando uma temporada em Salvador para desenvolver negócios voltados para a capital baiana, por ter percebido que a cidade tem uma diversidade capaz de render projetos variados, de cosméticos para cabelos cacheados e crespos até a culinária. 

Wilson explicou que ficou impressionado com a capacidade de inovação e criatividade do baiano. “Tive que passar essa temporada aqui para me ambientar mais, não tinha como ser rápido. Quem vem de fora enxerga oportunidades em Salvador. Uma pena que a população não caminhe por aí. Hoje eu digo para todos que conheço e que vêm visitar o Brasil ‘vá direto para Salvador, nem passe no Rio de Janeiro”, contou o empresário norte americano.

 

 

É preciso se conhecer muito para fazer graça enquanto fala de suas dores.

Foi assim que Patrícia Santos, professora e consultora de Recursos Humanos, iniciou a palestra que apresentou no Espaço Cultural da Barroquinha, durante o Scream Festival. Depois de desenvolver uma depressão pós-divórcio, com direito a queda de cabelo e alto nível de estresse, ela hoje ri do que tem passado desde que foi deixada pelo marido.

Mãe de três filhos, Patrícia é a fundadora da Empregue Afro, uma consultoria de Recursos Humanos focada na Diversidade Étnico-Racial e garante que, apesar do jeito divertido e riso fácil, nem sempre é possível se manter alegre. “A auto estima da mulher negra é prejudicada todos os dias pelo racismo”, disse ao Scream Tendências.

Além da sua luta contra o racismo, decidiu assumir a luta dos outros também. Negros que querem ingressar no mercado de trabalho, com capacidade comprovada para tanto, mas que durante os processos são trocadas por concorrentes brancos. “É desanimador, mas quem trabalha com isso não pode cansar. Essa é minha luta eterna”. 

Patrícia conta que o trabalho da Empregue Afro ajuda estagiários e efetivos e o objetivo da empresa é todo mês colocar mais negros no mercado de trabalho. 

Break com Patrícia Santos

Como é a comunicação entre as empresas e a Empregue Afro?

PATRÍCIA SANTOS: No início era bem complicado porque elas não entendiam a importância do nosso trabalho. A gente ia lá, apresentava nosso conceito e só aí começava o processo de negociação. Hoje eles já chegam até nós preocupados em empregar jovens negros em suas empresas. Nós atuamos como uma mediação entre empregadores e empregados negros.

Como é o processo de seleção? A Empregue Afro faz acompanhamento mesmo após a contratação?

PS: Nós temos uma equipe que analisa currículo por currículo e uma outra que analisa vaga por vaga. Nós brincamos de casar esses dois lados, porque geralmente recebemos o anuncio de vaga de um jeito bem específico, então realmente precisamos dessa análise bem feita. Acompanhamos todo o processo de seleção e contratação. O nosso diferencial é não deixar ninguém sozinho..

 

A Bahia é um estado com grande população negra. Você acha que mais empreendimentos como o seu são necessários?

PS: Totalmente! Precisamos ocupar espaços mesmo, principalmente em lugares como a Bahia com uma população negra e pobre, onde o desemprego chega de forma cruel. Não tenho estimativa aqui, tá? Mas aposto que dos desempregados na Bahia, a maioria é formada por negros. 

 

Pense aí! O vídeo game dentro de todas as escolas de nível fundamental com a missão de educar ou como forma de seleção para preencher vagas de empregos.

Essa foi a discussão que girou em torno da palestra “É divertido também”, que aconteceu no Fera Palace, durante o Scream Festival 2018. 

 Com a mediação de Marcel Ayres (Hackel Digital), Felipe Thomaz (Flip), Paolo Bruni (Unijorge) e Daniel Marques (UFRB) discutiram as formas de contribuição dos games no ensino e no trabalho. Os jogos, portanto, estariam integrados à jornada pedagógica das escolas desconstruindo a ideia de que a academia é chata. Simples assim mesmo.

Segundo pontuou Daniel Marques, diversão está ligada ao prazer, mas não só. “A ideia é reconstruir o interesse de alunos no processo de aprendizado, colocar o jogo como um instrumento solucionador e que também faz o mundo pensar”. Os alunos com esse tipo de auxílio seriam estimulados a pensar a realidade de uma forma mais lúdica, com experiências positivas. 

De acordo com Paolo Bruni, de um modo geral, as pessoas têm uma ideia distorcida de quem joga. “Jogo também exige técnica e proficiência, além de estimular uma competitividade saudável”. O professor da Universidade Jorge Amado, em Salvador, destaca que a Bahia ainda precisa levar mais a sério o empreendedorismo envolvendo jogos. “Poder torcer por um time baiano sempre reforça nossa identidade, mas ainda temos pouco”. 

Os palestrantes defenderam ainda o uso do jogo como instrumento de seleção de emprego, para avaliar capacidade de liderança e comportamento, por exemplo. Algumas empresas fora da Bahia já fazem o uso de jogos com esse fim, mas ainda não é uma realidade. 

 

 

Empreender com DNA

Baiano

“Acreditei na Bahia, vi o potencial e o lado bom de ser daqui. Levei tudo isso para a marca” 

 Eduardo Bahiana – criador da grife Souldila)

 

“Buscamos sempre mostrar que o que temos aqui na Bahia é de qualidade, então levamos a experiência completa pro consumidor” 

 Saulo Torres – sócio da Cervejaria Amada

 

“Não queremos só vender o produto, mas oferecer qualidade de vida, se conectar de fato com a vida do usuário” 

Josy Sousa, proprietária da Gaya Cosméticos

 

“Os pequenos negócios partem das personalidades dos seus donos” 

Camila Passos, Sebrae)

 

DICA SCREAM | SETE DICAS DE QUEM EMPREENDE COM DNA BAIANO

  1. Não se deve subestimar as dificuldades;

  2. É preciso estar verdadeiramente envolvido;

  3. Persistência sempre;

  4. Ter pilares é essencial;

  5. Pesquisar e estudar muito;

  6. Sem ideias fixas, o importante é captar o momento;

  7. Não é só ter grandes ideias, mas ter ideias e não ter medo de erra. Errar e aprender sempre.

 

De fire e fail Bob Wollheim entende.

Aos 57 anos, um dos maiores nomes da publicidade já viveu os altos e baixos do empreendedorismo e precisou passar um tempo out dos negócios. Hoje, é CEO e partner na empresa The B Network, uma rede global de negócios inovadores em comunicação, e co-founder da MuchMore, consultoria de negócios digitais. That's not all, folks.

Bob fundou a maior plataforma de creators do Brasil, o youPIX,  foi head of digital do Grupo ABC de Comunicação, criado por Nizan Guanaes e Guga Valente, é o autor dos livros “Empreender não é brincadeira”, e “Nasce um empreendedor” e atua como conselheiro do centro de inovação do Recife, o CESAR. 

Morou em Nova York para assumir a área comercial de um site de notícias, o starMedia, mas voltou para o Brasil e fundou a aceleradora Ideia.com, que não conseguiu sustentar. Não satisfeito, queria empreender novamente. Foi quando virou sócio do site de notícias sobre empreendedorismo, o Startupi, e do Appies.co, marketplace para desenvolvedores, mas acabou vendendo o portal.

Você deve ter percebido a quantidade de termos estrangeiros que usamos até aqui. O vocabulário de Bob Wollheim passa do português para o inglês em questão de segundos e uma das frases que mais se ouve do publicitário é “that’s fine”, ainda que algumas coisas não estejam tão bem assim. Com larga experiência no empreendedorismo, Bob lançou uma provocação: “estamos vivendo um novo momento e as pessoas e empresas precisam mudar a forma de pensar, caso contrário acabam ficando para trás. O mindset precisa ter mais retorno sobre do cliente do que da agência”. 

Ainda assim, o empresário vê meio cheio o copo da comunicação. “Em poucos anos, o empreendedorismo publicitário será diferente. Essa ideia de que nós temos de agenciá-la vai sucumbir e o talento e criatividade voltarão a ser o diferencial para o sucesso”. 

Apesar da idade e da nova leva de publicitários no mercado, o empresário não se considera outdated, exatamente por acreditar no que diz. Mudar não é uma questão para Bob, que vê a convivência com pessoas mais novas como uma forma de se reinventar. “Mudar é importante, isso não vale somente para o empreendedorismo. O fire de inovação tem que se manter, e isso deve partir de cada um, buscando formas de se reinventar. A curiosidade é um bom caminho para isso”.

 

Break com Bob Wollheim

Mais detalhadamente, qual o diferencial você enxerga na Bahia do ponto de vista da publicidade?

BOB WOLLHEIM: A criatividade, sem dúvidas. É conhecida mundialmente. Se todos contribuírem, o empreendedorismo também será. Vocês têm tudo na mão para isso. As mudanças começam em cada um e eu digo isso porque vivo fora dos eixos tradicionais, como Rio de Janeiro e São Paulo. Estou em Recife e em demais lugares que têm potenciais de empreender e inovar sem precisar se comparar. 

 

Você fala muito em mudança como algo natural na publicidade e que deve ser vista como algo positivo. Mas desde a criação de sua primeira empresa, o que acredita que mais mudou de lá para cá?

BW: A democratização da internet facilita muito o processo. Hoje está todo mundo a um clique de ter auxílio e entendimento sobre o ecossistema. Mas empreender não é para qualquer um, volto a dizer, porque mesmo com tudo isso ainda haverá o não êxito e that’s fine.  

 

Quais os pontos que você elencaria como os principais erros de quem quer empreender? 

Temos a ideia de coletividade, mas o mercado ainda é muito individualista. Óbvio que a competição “pede” isso e acaba sendo um comportamento comum, mas ganharíamos muito, e o ecossistema por consequência, se dividíssemos um pouco com o outro. Outro ponto é que as pessoas precisam entender o que é empreender. Não é só criar uma página na rede social. Existe um processo de formalizar o negócio e ele precisa ser cumprido. 

 

 

A PÓS-INTERATIVIDADE

Você é seu próprio veículo nas redes sociais, conferindo protagonismo e se colocando como agente nas plataformas digitais: isso te anima ou te preocupa? Calma! Talvez isso não queira dizer nada. De acordo com a pesquisa “Os perigos da percepção”, realizada pelo Instituto Ipsos Mori, o Brasil é o segundo país do mundo com menos noção da realidade. Agora sim temos um motivo para nos preocupar.

Segundo o redator Elísio Lopes Jr., da Rede Globo, a inteligência coletiva – forma de pensar e compartilhar conhecimentos através de mecanismos como a internet – é um dos maiores responsáveis por isso. A ironia não para por aí. As redes sociais dão ideia de colaboração entre os dois lados da tela, mas, em muitos casos, o que acontece é uma simples interação. 

Em “Lazinho com Você”, programa exibido na Rede Globo e apresentado pelo ator baiano Lázaro Ramos, Elísio era redator final. O programa foi pensado para estar em três plataformas diferentes: nas principais redes sociais, com contas ativas as quais eram possíveis dialogar com o público; na plataforma colaborativa desenvolvida exclusivamente para o programa, onde a produção recebia o material dos espectadores de todo Brasil, selecionava os melhores e exibia no episódio correspondente; e no programa de TV, que estreou em dezembro de 2017 e era exibido sempre aos domingos, antes do futebol. 

De acordo com Elísio, essa nova forma de levar conteúdo foi bem sucedida, apesar de o programa ter sido interrompido. “Consideramos as três partes como complementares uma da outra. Toda plataforma se adapta e deve continuar assim por alguns anos. A TV vai continuar rainha”.

 

THUTHTELLING

A marca em verde, amarelo e branco da Petrobras, que deveria ter um ‘quê’ patriótico, leva nas costas a má reputação da empresa envolvida em esquemas de corrupção investigados pela Operação Lava Jato, desde 2014. Foi nesse momento que ela precisou se mostrar de verdade. 

Mas, nesses casos, o real é suficiente? O publicitário Raul Santa Helena diria que não. “Não basta dizer a verdade, tem que ser a verdade”. 

“E qual é a verdade da Petrobras?”, perguntou um telespectador que estava na plateia do Teatro Gregório de Mattos, mais tarde. A empresa de capital aberto, cujo acionista majoritário é o governo brasileiro, quis responder a esta e outras tantas perguntas, reposicionando a marca. 

“Não existe caminho fácil, existe o caminho certo”, avisou Raul, parafraseando uma das campanhas mais sensíveis da empresa, divulgada em um dos seus momentos mais críticos.

Veja:

O reposicionamento da Petrobras foi um desafio também porque tinha como missão “confortar” o público interno da empresa, que, segundo Raul, não deixou de ter orgulho de trabalhar para a petrolífera, mas que de certa forma sofria com o que ouvia fora. “Nós sabíamos que precisávamos ser simples e que isso seria captado por quem vive o dia a dia da Petrobras, porque esta é nossa essência e precisávamos nos conectar com os servidores”.

A humanização da marca também passou por um processo de reposicionamento. Para explicar, o publicitário usou o Diagrama de Venn, onde a marca aparece entre valores como autenticidade, significado e relevância. “Humanos melhores fazem o mundo melhor, e isso passa pelas marcas”, disse Raul, demonstrando o quanto sensibilidade também é importante nesses momentos de crise. 

O publicitário divide o empreendedorismo publicitário da seguinte forma: o que você quer fazer porque é muito apaixonado; o que você quer fazer porque sabe que faz muito bem, que é a melhor naquilo; e o que dá para monetizar, de fato. 

 

GLOSSÁRIO SCREAM 

TERMOS MAIS USADOS NO SCREAM 2018 E A INSANA TENTATIVA DE DEFINI-LOS:

- Algoritmo: É o passo a passo para se chegar a um resultado. Para muitos, é só um monte de conta doida que o Mark Zuckerberg faz pra disponibilizar o que, teoricamente, a gente quer ver no nosso feed, baseado, em tese, no que a gente mais consome. 

- Always on: basicamente é se manter cons-tan-te-men-te na memória das pessoas. Bem fácil né? #sqn

- Biohacking: em resumo, é hackear o próprio corpo.

- Bitcoin: É tipo uma moeda, mas não dá pra botar no cofre de porquinho. E fica tipo num banco que, na verdade, não é bem um banco. Entendeu? Dizem que, em breve, você vai entender e isso vai mudar o mundo.

Boot Camp: A ideia inteligente de algumas grandes corporações que, cansadas de receber estudantes com formação ruim, resolveram fazer a própria escola dentro da empresa.

- Blockchain: se você resolveu comprar bitcoin, mas não sabe o que é isso, volte duas casas e vá estudar. #ficaadica

- Business: É a mesma coisa de falar “Negócios”, mas com pagamento em dólar.

- Compliance: Sua empresa fez besteira? Tá queimada no mercado? É preciso firmar certos compromissos. Convencer a sociedade que vocês mudaram. Mostrar para a galera de fora e pra quem trabalha lá dentro que os erros não voltarão a acontecer. Isso é compliance.

- Content House: nome chique para produtora de conteúdo.

- Creative Data: pra ser publicitário agora não basta ser criativo, você tem que entender de número, principalmente se busca engajamento nas redes sociais.

- Cross Video: um nome pomposo para as diferentes plataformas de conteúdo audiovisual.

- Crowdfunding: É uma “vaquinha” virtual. Se você acha que tem um projeto legal, mas não tem grana pra fazer, outras pessoas podem gostar da ideia e ajudar a bancar, fazendo o pagamento pela internet. A baiana Candice Pascoal é fera nisso aí.

- Dark Social Media: é o submundo das redes sociais, aquelas que o mercado (ainda) não consegue controlar, como o famoso zap zap.

- Fail: é o famoso “deu ruim”, algo não saiu como esperado, falhou. Acontece...

- Fail fast: quer dizer que, se você errar, que seja rapidão! Pra já dar um corre logo em seguida de novo, entendeu?!

- Feat.: Abreviação de featuring. É o que, no longínquo século passado, era chamado de participação especial. Se um artista participa do clipe de outro artista, diz-se que rolou um feat. Sacou?

- Fire: quando você tá animadão com uma ideia e faz acontecer.

- Followers: todo mundo que te segue nas redes sociais

- Head Hunter: é O cara! Ele recruta profissionais talentosos. Se vir um desses, mantenha a pose #ficaadica

- Hero Hub Help: é um método de produção em larga escala, assim você mantém regularidade na produção e não perde quantidade e qualidade.

- Input: é a entrada ou inicio de algo, tipo o Scream no mercado publicitário. 

- Insight: É mais uma palavra de gringo que a galera gosta de usar no Brasil. Insight é aquela ideia massa! A inspiração que pode mudar sua vida e até mudar os destinos da humanidade. É um estalo, sabe! Aquela lâmpada que acende na cabeça dos gênios nas histórias em quadrinhos. Ficou claro?

- Mindset: tudo que você acredita e está na sua mente.

- Outdated: é o coroa que ficou pra trás. É o oposto do novinho antenado. (Mas se ligue. Tem muito novinho de 60 e muito outdated de 20)

- Partner: é o sócio de algum negócio.

- Rethink: sabe aqueles momentos que a gente precisa repensar as coisas? É isso!!

 

- Startup: É menos que uma grande empresa e mais que um sujeito diante do computador, tentando criar alguma coisa sozinho, numa garagem escura. Startup é um novo tipo de empreendimento cujo objetivo é desenvolver um modelo de negócios viável para atender a uma necessidade ou problema do mercado. 

- Views – Número visualizações de um conteúdo nas mídias digitais. É uma espécie de moeda das redes sócias. Quem tem milhões de views, acumula milhões em patrimônio.